lancamento2LANÇAMENTO

A Saúde dos Ventos
Waldomiro Manfroi

A Edições BesouroBox lança no próximo dia 05 de novembro, às 18h, durante a 61ª Feira do Livro de Porto Alegre, na Praça de Autógrafos, o livro “A Saúde dos Ventos – A evolução da Ciência Médica e as origens da Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre”, do escritor e médico brasileiro Waldomiro Manfroi.
Tendo como unidade narrativa a centenária Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre, criada em 25 de julho de 1898, Waldomiro Manfroi faz uma revisão da Medicina, desde os deuses gregos até a atualidade. Para dar uma conotação histórica aproximada, o autor registra a reflexão que fez o biólogo francês Jean Bernard, quando comparou os recursos médicos disponíveis através de décadas: “O médico que tivesse adormecido em 1900 e acordado em 1930 se surpreenderia com as transformações do mundo, porém, nem tanto com as mudanças da Medicina. O mesmo não aconteceria com outro médico que tivesse adormecido em 1930 e acordado em 1960. Este ficaria estarrecido com sua própria ignorância, diante do progresso alcançado pela ciência médica”.

Através de seu engenhoso narrador-personagem, o professor Humberto Leivas Barcelos, Manfroi brinda o leitor com as anotações contidas no Diário do Jornalista José Soares Lima – que serve ao leitor como um panorama do discurso médico, que se construiu em meio à Abolição da Escravatura, à Proclamação da República, à evolução das ciências, aos processos de urbanização e à ascensão do pensamento Positivista, revelando os discursos de Eugenia e Higienismo, e os meandros para aceitar novas pesquisas em detrimento do que já havia sido consagrado por estudiosos da Grécia Clássica. “Havia momentos em que, se o pesquisador se rebelasse contra o Estado ou enfrentasse as normas da Religião, podia provocar sua desgraça. Vivia-se longe da época das forcas e fogueiras, mas a cautela era sempre recomendável. A rejeição de uma descoberta pelo poder dominante podia representar o atraso de dezenas ou centenas de anos de sua aplicação” (81).

Em 260 páginas, o leitor é conduzido pelos nexos entre a ciência e a cultura da época, o que permite refletir, também, sobre como a intelectualidade brasileira, na passagem do século XIX para o século XX, estabeleceu suas narrativas sobre a construção identitária do país – a elite brasileira era a única classe social letrada, e, em sua maioria, profundamente influenciada pelas descobertas científicas, pelos costumes e pela paisagem das capitais europeias. Neste sentido, o romance histórico A Saúde dos Ventos desempenha um papel fundamental para a compreensão da Cultura Brasileira, reunindo personagens, relatos e documentos reais que, concomitantemente, dissecam a paisagem urbana, o imaginário social, a efervescência das Letras e da Música, a morte de Júlio de Castilhos, ocorrida em 1903, entremeando questões relacionadas à saúde com singularidades políticas da época, o trabalho dos médicos em Porto Alegre, com ênfase nos atendimentos prestados na Santa Casa de Misericórdia, e os resumos das teses dos médicos formados em 1904, com destaque para os trabalhos de Alice Maeffer.

O antigo Diário do Jornalista José Soares Lima encontrado pelo professor Humberto é o mote que denuncia a mestria com que Waldomiro Manfroi aguça a curiosidade e torna a leitura de uma temática tão extensa e densa, em algo agradável e reflexivo. “Eram os ventos que permitiam as comunicações e o comércio entre as nações” (48). “Eram os ventos contidos na atmosfera que davam movimento à humanidade.” (48). E é este vento, que expõe em um sopro quase um século de história. É esta metáfora, que ao longo dos capítulos vai mudando os cenários com a mesma urgência imposta pela industrialização e pelos processos de urbanização para “atender às novas exigências de uma nova sociedade: limpeza pública, transporte coletivo, moradias novas, iluminação, largas e amplas avenidas nos lugares dos infectos cortiços.” (63).

Se a preocupação inicial do professor Humberto Leivas Barcelos (ou seria de Waldomiro Manfroi?), no primeiro capítulo, era chamar atenção para a necessidade de um novo olhar sobre a relação médico-paciente, sobre a saúde e a doença, e a urgência de uma relação interdisciplinar com os colegas de outras profissões, o autor cumpre de forma primorosa com seu propósito, pois, como afirma Dulcinea Santos em seu prefácio, após a leitura de A Saúde dos Ventos, “ficamos sabendo o que é Humanismo” (07). “Quando o foco de interesse converge para os valores do século XXI, toma lugar o que Ferry define como um humanismo da transcendência do outro, o qual contempla a alteridade, sob a lógica da afetividade.” (10).

Sobre o autor
Waldomiro Manfroi ingressou na Faculdade de Medicina da UFRGS em 1960, onde se formou em 1965, quando foi orador da turma. Em 1974 obteve o título de Fellow in Cardiology, no Sth Joseph Hospital da cidade de Syracuse, Nova York. Foi Presidente da Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul, de 1979 e 1980. Durante seu mandato, planejou e implantou o primeiro Programa de Reanimação Cardiopulmonar, visando o treinamento de bombeiros e alunos da Rede Pública de Porto Alegre. Implantou também o Programa Educação Cardiológica Continuada. Doutor em Cardiologia pela UFRGS em 1979. Professor Titular por concurso público da Faculdade de Medicina da UFRGS em 1986. Diretor da Faculdade de Medicina da UFRGS em dois períodos, de 1985 a 1988 e de 2001 a 2005. Pró-Reitor de Extensão da UFRGS de 1988 a 1992. Vice-Presidente de Cultura da Associação Gaúcha de Escritores 2010-2011, Membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Membro da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. Em 2012 recebeu o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. É autor dos livros Tempo de viver, O último voo, A confissão do espelho, Os demônios do lago, Férias interrompidas, Sinfonia às avessas, Vestígio e Médicos escritores.

Lançamento do livro “A Saúde dos Ventos” Local: 61ª Feira do Livro de Porto Alegre Data: 05 de novembro de 2015 Horário: 18h

Serviço Livro: “A Saúde dos Ventos” Autor: Waldomiro Manfroi Formato: 16 x 23 cm N. de páginas: 264 Preço de capa: R$ 49,00

Sobre a Edições BesouroBox
Fundada em 2005, a Edições BesouroBox possui hoje mais de 100 títulos em seu catálogo, distribuídos nos selos BesouroBox, BesouroLux e 8Graphics, que abrangem as áreas de Literatura Brasileira, Literatura Estrangeira, Literatura Infanto-Juvenil, História, Ensaios de cunho Social e Jornalístico, Graphic Novels, Espíritas e Autoajuda, combinando textos clássicos e de referência com obras sobre temas contemporâneos.


 JaimeCimentiJAIME CIMENTI

Livros
Notícia da edição impressa de 20/11/2015

Medicina, médicos e faculdade por Waldomiro Manfroi

A saúde dos ventos (BesouroBox, 264 páginas), do médico, professor universitário e escritor gaúcho Waldomiro Manfroi, é um denso e caudaloso romance histórico sobre a evolução da ciência médica, vidas de médicos e as origens da Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre.
Manfroi formou-se na Faculdade de Medicina da Ufrgs em 1965, na qual se tornou, por concurso público, professor titular e seu diretor em dois períodos. Também foi pró-reitor de extensão na Ufrgs, presidente da Sociedade de Cardiologia e exerceu outras tarefas importantes. Recebeu o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre e é membro da Academia Rio-Grandense de Letras e da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. Escreveu oito obras literárias: Tempo de viver; O último voo; A confissão do espelho; Os demônios do lago; Férias interrompidas; Sinfonia às avessas; Vestígio; e a coletânea histórica Médicos escritores.
A saúde dos ventos: a evolução da ciência médica e as origens da Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre mescla a habilidade do autor com o relato ficcional e o rigor da pesquisa. Assim, ao mesmo tempo, proporciona ao leitor percorrer os caminhos da Medicina, desde os deuses gregos até a atualidade. Quando um antigo diário é descoberto na biblioteca da Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre, os ventos começam a soprar, levando o leitor a saber como a Medicina chegou às grandes descobertas científicas do século XIX e início do século XX.
Tendo como unidade narrativa a centenária Faculdade de Medicina, fundada em 1898, nos diários de professor Humberto, o leitor verá como as metrópoles brasileiras foram influenciadas pelas descobertas científicas, pelos costumes e pelas mudanças urbanísticas das capitais europeias.
Entre 1877 e 1907, cenas, cenários e personagens envolvidos com medicina, literatura, urbanismo e política transitam por Porto Alegre, Rio de Janeiro, Paris, Viena e Berlim. Grandes vultos brasileiros convivem com personagens fictícios. Na primeira parte, o dr. Protásio Alves conta como participou dos movimentos abolicionistas e pela Proclamação da República, quando estudou Medicina no Rio de Janeiro.
A Rua da Praia de 1900, onde o estudante Antônio Corrêa foi assassinado pelo vice-diretor da Faculdade de Medicina, e a morte de Júlio de Castilhos, em 1903, fatos entremeados com a saúde e as singularidades políticas do período, estão na narrativa, assim como o trabalho dos médicos da época, em especial os atendimentos prestados na lendária Santa Casa de Misericórdia.
A saúde dos ventos é leitura útil e prazerosa para estudantes, médicos, professores e leitores em geral, trazendo, em doses corretas, informações e histórias que nos tocam, com texto de mestre.


A saúde dos Ventos, Parte I – Waldomiro Manfroi, Edição de 2015, BesouroBox Ltda.

Virginia H. Vianna Rocha – Novembro de 2015.

Ao concluir a leitura permanece agradável sensação de quem percorreu a trilha em escavações de camadas arqueológicas, passo a passo, descerrando a visão de origem da Faculdade de Medicina de Porto Alegre e os domínios da Santa Casa que é, por natural circunstância, o abrigo de formação e ensino da prática do ofício.
Indissociável, na leitura, a rememoração de Sérgio da Costa Franco, notável na dissecção da cidade e sua história, no traçado de líderes forjados na brutal campanha de sangue de 1893 e, posterior, vigor arbitrário do partido de Júlio de Castilhos, no Rio Grande do Sul, única região do Brasil onde o positivismo alcançou luminosidade impositiva e duradora.
O Professor Humberto tem a mesma visão perscrutadora do historiador Sérgio da Costa Franco – pessoa física a quem todos conhecem – ao esmiuçar a Velha Porto Alegre em mazelas na recomposição de flagelos por epidemias avassaladoras e intempéries, bem quando foca, com precisão cirúrgica, a Guerra Civil de 1893 que deu voz e vez a Júlio de Castilhos e sua época e, recentemente, na obra Santa Casa – 200 anos (com Ivo Stigger de 2003). Iguais dados são acolhidos na narrativa de W. Manfroi, em fontes e registros diversos.
Ambos, – Sérgio da Costa Franco e Waldomiro Manfroi – acolhem em texto fluído assertivas do tempo calcado nos dias e horas passadas. Aqui, na obra citada, o relato dos médicos em formação está nos acentos miúdos do Diário, não só para ajustes presenciais dos mestres que receberam suas titulações nas Universidades do Império, na Bahia e Rio de Janeiro, complementadas com estudos e práticas no país e exterior, como nas atividades de ensino do grupo de alunos da primeira turma da instituição. Vai além, acrescendo, ao cenário, conquistas universais na prática da medicina à experiência do professores e mescla de interesses coletivos, políticos e funcionais, para fazer existir, em corpo e alma, a Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre.
Se o papel de jornalista, historiador, médico literário não é novidade, o zelo ao biografar a instituição secular, Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre, em testemunho que consegue transmitir, graças à colheita de dados do contexto da época de origem, os laços de formação com o panorama geral na região, país e exterior, ao fim, revela a compaixão humilde com a dor humana que é o campo natural do ofício.
A ideia de trazer relato isento na estrutura do livro dos primórdios da vetusta e nobre instituição, – sem comentários do autor e sem extrair conclusões daquilo que vem ao seu conhecimento na pesquisa do Diário e demais livros examinados sobre a ciência médica e seus criadores – repõe, no presente, belo e singular percurso da biografada, Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre. Maiormente, desvela profundo empenho de Waldomiro Manfroi na prática de ensino como Professor e Diretor da Faculdade de Medicina da UFRGS e Pró-Reitor da mesma Universidade.
Recentemente, conclui a leitura de Um Diário Russo, de John Steinbeck e Robert Capa, – Cosac-Naify, 2003 – e no Posfácio de Susan Shillinglaw, encontro excerto atribuído a Toby Street, que diz: Na verdade, John tinha algo de missionário. Era essencialmente um jornalista […] Acho que ele conseguia ver as coisas acontecendo. […] Por jornalista, quero dizer alguém dotado de um aguçado senso de observação. Realmente, assim age o autor na obra.


A SAÚDE DOS VENTOS

Quando um antigo diário é descoberto na biblioteca da Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre, os ventos começam a soprar, levando o leitor aos caminhos percorridos pela Medicina até chegar às grandes descobertas científicas do século XIX e início do século XX, uma revisão histórica, desde os deuses gregos até a atualidade. Uma inteligente estratégia narrativa onde o Professor Humberto, um dos personagens, descreve a influência das descobertas científicas, os costumes e mudanças urbanísticas das capitais europeias nas metrópoles brasileiras. Entre 1877 e 1907, as cenas, os cenários e os personagens transitam em ambientes relacionados à medicina, à literatura, à política e ao urbanismo em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Paris, Viena e Berlim. Então, grandes vultos brasileiros e estrangeiros convivem com personagens fictícios. Na primeira parte da narrativa, o personagem central, Protásio Alves, descreve sua participação nos movimentos pela abolição da escravatura e pela Proclamação da República, quando estudava Medicina no Rio de Janeiro.