Filho de Guido Manfroi
e Narcisa Tiecher Manfroi
 

Formação pré-universitária


Freqüentou e terminou o curso primário na escola pública da vila Pinhal, Município de Palmeira das Missões.


Com 16 anos foi aprovado no exame de Admissão ao Curso Ginasial no Ginásio de Sarandi, onde cursou o primeiro ano em 1953.


De 1954 a 1957 terminou o ginásio e o primeiro ano do Científico no Colégio Estadual Professor Annes Dias, de Cruz Alta.


Em 1958 foi admitido por prova de seleção, para cursar o segundo ano científico no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, onde concluiu, também, o terceiro ano em 1959.


Atuação como acadêmico



Aprovado no concurso exame de vestibular, em 27º, em 1960.


Eleito, sucessivamente, presidente da sua turma médica durante os seis anos do Curso de Medicina.


Eleito representante discente junto à Congregação da Faculdade de Medicina para o mandato de 1965


Escolhido por concurso interno, orador da sua turma médica para a Cerimônia de Colação de Grau em 06/12/1965.

 

Textos e Discursos


DISCURSO DOS JUBILDAOS DA UFRGS 2015

Vice-Reitor da UFRGS,  Prof. Dr. Rui Vicente Opermann.

Aqui representando o magnífico Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Prof. Dr. Carlos Alexandre Neto. Ao saudá-lo, saúdo os demais integrantes da administração central, dos Conselhos, os diretores das unidades, os docentes, os servidores e os discentes da Universidade.


Presidente da Associação dos Antigos Alunos da UFRGS, Professora Dra. Helena Alves D´Azevedo.

Vice-Presidente Professora Jussara Isse Musse.

Ex-Presidente Carlos Machado de Brito, por meio de quem cumprimento os demais membros da diretoria, do presente e do passado. A aproveito para lembrar, de modo especial, o Prof. Pery Pinto Diniz e o Reitor Francisco Ferraz que, em 1984, deram suporte inicial para a consolidação desta nossa entidade.

Colegas jubilados de todas as turmas formadas em 1965.

Familiares dos jubilados

Minhas senhoras e meus senhores.


Antes de qualquer pronunciamento sobre esse histórico evento, preciso fazer um desabafo. Domingo, dia 15 de novembro, enquanto me preparava para dar forma a este meu discurso, depois de ler os jornais do dia, decidi mudar o rumo do texto. Explico melhor. Ao perceber que não havia nenhuma linha escrita ou falada na imprensa sobre a Proclamação da República, indignado, interrompi meu trabalho para publicar o seguinte texto nas redes sociais.

Ocupo este espaço para registrar minha perplexidade. Ao ler as principais notícias contidas nos jornais da nossa cidade, deparei-me com chamadas de toda ordem. Claro que a notícia de maior destaque era a que detalhava o hediondo ataque terrorista do EI em Paris. Mas não escreverem nenhuma linha sobre o dia da Proclamação da República, me deixou muito preocupado. Por falta de tempo, não procurei notícias sobre a efeméride em outros jornais fora do nosso Estado. Acho que procedi bem. Tivesse encontrado, ficaria com a impressão de que continuamos contaminados pela ideia da República Rio-Grandense. Para evitar o mergulho em assuntos tão complicados, decidi regressar nos rituais da data no meu passado. Lembrei-me então que, nos tempos de estudante em colégio público, o dia 15 de novembro era feriado, e nós realizávamos desfiles cívicos, com cânticos e versos em louvar à Pátria. À Pátria Brasileira! Meus amigos que estudavam em colégio particulares, também, seguiam o mesmo ritual de celebração. Tínhamos até concurso conjuntos, de oratória e declamação de poesia. Lembro de um colega que declamou, de cor, num cinema repleto, os Lusíadas, verso por verso. Claro que virou político e foi deputado Estadual e Federal várias vezes. Bem, não vamos querer a volta desses tempos tão diferentes que pertencem a outro mundo. Mas ignorar completamente uma data tão importante das nossas conquistas de cidadãos, parece-me algo muito estranho. Por quê está acontecendo esse comportamento da imprensa sobre nosso passado histórico? Como não sei responder, espero que outros possam me ajudar.

Por não ter nenhuma força para corrigir essa enorme omissão, decidi fazer o que me é possível: falar sobre nossa universidade, já que ela é uma construção republicana da sociedade.

Então, retomo agora meu discurso formal.

Que minhas palavras iniciais sejam de agradecimentos. Agradecimento pela honra de ter sido designado para falar em nome de todas as turmas de jubilados de 1965 e por ocupar este mesmo espaço cinquenta anos depois do discurso que proferi por ocasião da formatura da nossa Turma Médica de 1965.  

Faz parte dos discursos de formatura de todas as turmas de cada unidade um capítulo que expresse os agradecimentos à Universidade que permitiu aos formandos que se graduassem numa instituição de Ensino Superior Pública, Gratuita e de qualidade. No momento presente, pelo fato de falar em nome de muitas turmas, optei por homenagear nossa universidade, fazendo um breve resumo histórico desta quase centenária instituição.  Tomei tal decisão, depois de perceber que os jornais da nossa cidade, do dia 15 de novembro, não publicaram uma linha sequer sobre uma data que nos foi tão cara no passado não muito distante: A Proclamação da República. Diante de tanto omissão, entendi que nós profissionais formados no Ensino Superior, podemos, pelo menos, desenvolver o hábito de lembrar e escrever a história das nossas instituições. Com mais razão quando tratamos de uma universidade que teve grande vínculo com fase Republicana Brasileira. Vínculo republicano porque a Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre foi a primeira escola da era republicana ligada à área da saúde. Havia no Brasil Imperial a Faculdade de Medicina da Bahia, fundada em 1808, a do Rio de Janeiro, fundada em 1842. A nossa, fundada em 25 de julho de 1898, além de ser a primeira da fase republicana brasileira, tinha iniciativa privada e não governamental. Surgiu então, pela iniciativa do povo porto-alegrense.

Ainda que fossem instituições ainda de ordem isoladas, torna-se oportuno lembrar e homenagear os homens que lideraram seus pares para empreender os primeiros movimentos em prol do Ensino Superior do Rio Grande do Sul, que ocorreu no final da década de 1890 e início da década de 1900: Eng. João Simplício, pela fundação Escola Politécnica de Engenharia,   Protásio Alves e Alfredo Leal, pela criação da Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre e  André da Rocha, pela fundação da Faculdade de Direito.

O segundo movimento em prol da criação de uma universidade surgiu de uma ruptura política que durava 35 anos no nosso Estado.  No início da década de 1930, depois de superadas as divergências determinadas por um poder de força que causou duas grandes revoluções, a de 1893 e 1923, surgiram outros discursos no Estado que ainda não tinham tido oportunidade de se fazer ouvir, por absoluta falta de espaço. Dentre eles destaca-se a voz dos acadêmicos universitários, por intermédio da Federação Acadêmica de Porto Alegre.  Esta entidade, reunida em um evento no Salão Nobre da Biblioteca Pública de Porto Alegre, em 27 de setembro de 1930, para denunciar as precárias condições do Ensino Superior no nosso Estado lançou o seguinte manifesto:

”As estruturas organizacionais e o ensino das escolas superiores equiparadas do Rio Grande do Sul, formadas pela Universidade Politécnica de Engenharia, com os Institutos de Astronomia, Eletrotécnica e Química Industrial; a Faculdade de Medicina, com as Escolas de Farmácia e de Odontologia; a Faculdade de Direito, com sua Escola de Comércio; a Faculdade de Agronomia e Veterinária; a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e pelo Instituto de Belas Artes, já não correspondem ao desenvolvimento e a eficiência que delas são esperadas.”

O que mais reivindicavam os estudantes em seu manifesto publicado pela imprensa de então?

Pediam duas providências:

I – A criação da Universidade do Rio Grande do Sul, com plena autonomia didática e administrativa;

II – A Universidade assim constituída devia determinar a revisão dos métodos de ensino, adaptando-o às exigências da época e do meio; revisão dos processos de seleção dos professores, por meio de concursos públicos; revisão das taxas de matrícula e dos exames, objetivando a gratuidade do ensino e revisão das estruturas administrativas para que possibilitassem a representatividade acadêmica nas congregações das Escolas.

Presidiu a reunião, o líder estudantil, Waldemar Ripoll e assinavam com ele o Memorial enviado ao Governador do Estado, General Flores da Cunha os seguintes acadêmicos: Lourenço Mário Prunes, Egidio Costa, José de Azeredo e Luiz Bulick (pela engenharia), Eduardo de Assis Brasil, Adhir Eiras Araújo, Cyro dos Santos Martins e Ramiro Frotta Barcelos (pela Medicina), Plínio Brasil Milano, José Neves da Fontoura e João Leão Sobrinho (pelo Direito), Vicente Maia, Carlo Moritz e Armando Montano (pela Agronomia) e Francisco Cardoso Filho, Nilo Ruschel e Álvaro Coelho Borges (pela Escola de Comércio).

Durante o evento, falou como convidado especial Dr. Raul Bittencourt, que apoiou os alunos na sua luta, visando à implementação da Universidade. Em nome dos acadêmicos falou Cyro Martins, descrevendo em sua fala o que se entendia por compromisso social da nova universidade.

Além destas vozes novas no meio acadêmico, passou-se a ouvir as vozes de professores das unidades de então que, além de denunciarem as precárias condições das estruturas físicas e a qualidade do ensino das suas instituições, reivindicavam a criação da Universidade. Desse movimento docente, surgiu uma comissão que foi presidida pelo Professor Guerra Blessmann, que elaborou uma pauta de reivindicações e foi encaminhada ao Governador do Estado, visando a salvar o ensino superior de Porto Alegre.

Para o melhor entendimento histórico, vale reler o que dissera, na hora de assinar o Decreto da criação da Universidade, o Governador do Estado, fielmente alinhado às ideias positivistas, General Flores da Cunha:

“A idéia que foi corporificada nesse decreto, já estava amadurecida. Era como que um imperativo da necessidade de elevar a cultura do Rio Grande. Em verdade, tendo formação cultural bem diferente da que hoje domina os espíritos do Rio Grande e fora do Rio Grande (quando digo cultural, quero me referir à orientação filosófica), devo confessar que era infenso ao ensino universitário.(sic). Mas, por que não dizer, aqui na casa publica, na casa do governo, como já o fiz no Congresso Médico Realizado na Capital do Rio Grande, que não me envergonho de corrigir as minhas ideias e retificá-las. Como ficar insensível e indiferente diante das intromissões perturbadoras da cultura dos moços, por aí vão adquirindo foros de cidade e se apresentando como as melhores doutrinas? A Universidade é uma necessidade, principalmente, no momento em que os campos de atividade mental estão divididos e subdivididos mais pelas paixões dos homens e pela cegueira partidária, do que mesmo pela obra do raciocínio. Todavia, no tocante a essa necessidade, a opinião é quase unânime...)”

Serenados então os ânimos das rivalidades políticas, pelo Decreto no. 5758, de 28 de novembro de 1934, assinado pelo Governador Estado, Dr. José Antônio Flores da Cunha, foi criada a Universidade de Porto Alegre (UPA), com os seguintes objetivos:  "dar uma organização uniforme e racional ao ensino superior no Estado; elevar o nível da cultura geral; estimular a investigação cientifica e concorrer eficientemente para aperfeiçoar a educação do individuo e da sociedade".  Integravam então a nova Universidade (UPA) as seguintes unidades de Ensino Superior de Porto Alegre: Escolas de Engenharia, com os Institutos de Astronomia, Eletrotécnica e Química Industrial; Faculdade de Medicina, com as Escolas de Odontologia e Farmácia; Faculdade de Direito, com sua Escola de Comércio; Faculdade de Agronomia e Veterinária; Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e pelo Instituto de Belas Artes.

A criação da Universidade de Porto Alegre (UPA) respondia a uma demanda social pela expansão e modernização do ensino superior em nosso Estado e no Brasil. O contexto político nacional propiciava o desenvolvimento das universidades, como resultado da democratização, decorrente da promulgação da Constituição de 1934 e do fim da República Oligárquica. A conjuntura brasileira dos anos 1930 apontava para a modernização econômica a partir de estímulos à industrialização e a Universidade brasileira teria participação decisiva nesse processo.

E, neste contexto, a Universidade de Porto Alegre passou a contribuir com a região com quadros intelectuais melhor preparados para liderar as mudanças institucionais e políticas que a conjuntura da época demandava.

O terceiro grande momento de transformação do ensino superior no nosso Estado ocorreu em 1947, quando a nova instituição passou a ser denominada Universidade do Rio Grande do Sul, a URGS, e, desde dezembro de 1950, quando a Universidade foi federalizada, passando à esfera administrativa da União. Desde então, a UFRGS passou a ocupar posição de destaque no cenário nacional, como um dos maiores orçamentos do Estado do Rio Grande do Sul, e como participante ativa no processo de produção dos conhecimentos necessários ao desenvolvimento econômico, político, social, cultural, científico e tecnológico do Estado e do país.

E, ao longo dos anos 1960, período em que nós formados em 1965 tivemos origem, a UFRGS não formou apenas os professores e os profissionais de todas as áreas que viriam a contribuir para o desenvolvimento da assim chamada “época de ouro do Ensino Público Gaúcho”, somaram-se os estudos sobre a produtividade de solos, a implantação de projetos para o desenvolvimento tecnológico, social e cultural de todas as áreas do saber.

Ao processo de industrialização e crescimento econômico de meados do século XX, correspondeu também à possibilidade de empreendimentos no âmbito da cultura regional e nacional. Professores e pesquisadores da UFRGS, preparados que estavam, passaram a investir na publicação de seus conhecimentos, fazendo crescer o campo editorial ligado à cultura regional, literatura, história, geografia, atividades econômicas, perfil da população, etc.

Como ponto de destaque, deve-se lembrar a conclusão do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, em 1970 que veio tornar realidade um sonho acalentado durante décadas por docente e discentes da Medicina, hoje transformado em centro de referência regional e nacional para muitas especialidades e um importante centro de pesquisa na área da saúde, desenvolvido de forma multiprofissional.

A Ciência da Computação, com suas tecnologia de comunicação atual determinaram uma verdadeira revolução no mundo inteiro, foi incorporada como centro de referência nacional e internacional. O aproveitamento das fontes de energia renováveis e os projetos de preservação ambiental são outros capítulos que merecem destaque, pois que fazem parte das novas conquistas da sociedade.

Outra contribuição da Universidade no campo das artes se faz presente na criação do Museu de Artes do Rio Grande do Sul, fundado em 1954, por iniciativa do professor e pintor Ado Malagoli, que atualmente empresta o nome à instituição, e permitiu a construção de um significativo acervo no Estado e de grande incentivo aos artistas do RS.

Assim, hoje, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, uma instituição com raízes centenárias, é reconhecida nacional e internacionalmente, destacando-se por sua expressiva produção científica, tecnológica e cultural. Ministra cursos em todas as áreas do conhecimento e em todos os níveis, desde o Ensino Fundamental até a Pós-Graduação. A qualificação do seu corpo docente, composto na sua maioria por doutores, a atualização permanente da infraestrutura dos laboratórios e bibliotecas, o incremento à assistência estudantil, bem como a priorização de sua inserção nacional e internacional são políticas que revertem em constante desenvolvimento para o Estado.

Por seus prédios circulam, diariamente, cerca de 40 mil pessoas em busca de um dos mais qualificados ensino do país. Este, aliado à pesquisa, com reconhecidos níveis de excelência, e a extensão, a qual proporciona diversificadas atividades à comunidade, faz com que a UFRGS alcance altos níveis de avaliação. Como instituição pública a serviço da sociedade e comprometida com o futuro e com a consciência crítica, a UFRGS respeita as diferenças, prioriza a experimentação e reafirma seu compromisso com a educação e a produção do conhecimento, inspirada nos ideais de liberdade e solidariedade. Como vemos, os sonhos dos alunos dos professores da década de 1930 se tornaram realidade.

Então, à nobre instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nosso cumprimentos pelos avanços alcançados e nossos agradecimentos pela nossa formação gratuita e de qualidade. Por intermédio do Vice-Reitor, Rui Vicente Oppermann, aqui representando o Magnífico Reitor Carlos Alexandre Neto, cumprimentamos os demais diretores, reitores, professores, servidores do passado que tanto contribuíram pelo engrandecimento da instituição.


FEITOS OS AGRADECIMENTOS À UNIVERSIADE, CABE UM RECONHECIMENTO A NOSSOS PAIS.

Para lembrá-los, tomo e liberdade de utilizar as palavras que pronunciei quando fui orador da nossa Turma Médica no dia 06/12/1965, pois elas representam a manifestação de sentimentos da época em que eles se encontravam de corpo presente à cerimônia. Lembrá-los assim, me pareceu oportuno.

Queridos pais.

Tendes a vossa frente, o fruto de vosso esforço. Aqui estão os filhos que vistes nascer e se desenvolver. O jovem de ontem, é hoje um homem da sociedade. Muitos sacrifícios fizestes para que chegássemos até aqui. A recompensa só a voz pertence. O que temos para vos oferecer é pouco pelo muito que fizestes. Pretendemos oferecer-vos o que mais avulta em comemoração em nossa jornada: esta festa. Nossas roupas diferentes com as quais nunca nos vistes, são em vossa homenagem. As pessoas que aqui vieram foi por vós, os aplausos a vós pertencem. Oferecemos ainda nossa palavra de que daremos a nossos filhos as mesmas condições que nos proporcionastes. Sentimo-nos no dever de dar a eles a mesma orientação, carinho e apoio que recebemos de vós. Em nossa alma, jamais vos esqueceremos, a vós o nosso sincero agradecimento.

Para saudar aos colegas, preciso lembrar de onde viemos e onde estamos.

Durante esses cinquenta anos de nossa inserção social, tivemos a oportunidade de acompanhar e a conviver com inúmeras e inimagináveis transformações. Dentre elas, as conquistas da mulher na sociedade e o aumento da vida das pessoas.  Se nas turmas que se formaram em 1965 havia, nos cursos mais tradicionais, a presença de 10% de mulheres, hoje elas são 60 a 70%. Na questão da saúde, se em 1965, as pessoas viviam em média sessenta anos, hoje vivemos 75. Todos nós formados em 1965 passamos de alguma maneira por todas essas transformações e com elas contribuímos para prolongar e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Nossa geração teve ainda o privilégio de participar de grandes discussões  e movimentos de nacionalização e soberania nacional, destacando-se dentre elas a campanha: O Petróleo é nosso.

Na área tecnológica e de mobilidade, convém lembrar que somos da época que usávamos bonde e de trem para nos locomovermos. E que hoje, infelizmente, não existem mais. Nosso meio de produzir material didático era a máquina de escrever e o mimeógrafo, que foi substituído, pelo xérox. E logo surgiu, como aparelho mágico, o fax, que foi substituído pelo E-mail e que logo foram acompanhado por inúmeros outros dispositivos que vieram a revolucionar as relações entre pessoas, grupos, sociedade, meios de comunicação instituições, o ensino, a pesquisa e a extensão. Se com nossos filhos, revivemos as nossa lutas do vestibular, com os netos de 5 anos aprendemos operar os inúmeros dispositivos da tecnologia moderna.

Muitos de nós tivemos o privilégio de continuar nas hostes da vida acadêmica e administrativa de universidades, desta e de outras nacionais e estrangeiras. Tivemos assim a oportunidade de acompanhar o expressivo progresso que o mundo atingiu em todos os ramos do conhecimento. Outros seguiram caminhos diversos, em suas atividades profissionais relacionadas ao contexto social.  Adotamos diversas tendências ideológicas, religiosas, opiniões variadas em muitas questões, porém em uma delas fomos unânimes. Quando abordamos o bem estar físico, psicológico, econômico e social das pessoas a que servimos, agimos da mesma forma: o bem servir. O certificado que recebemos em 1965 nos custou muita dedicação. Durante nossos cursos passamos horas imemoráveis, juntos nos tornamos irmãos e ligados estivemos, depois, pelos laços das nossas profissões. Juntos sentimo-nos responsáveis pelas transformações da nossa pátria. Nossa meta foi, é e será voltada para o bem daqueles que nos procuraram. Se assim procedermos, a sociedade deve ter reconhecido nosso trabalho. E esta terá sido, talvez, a maior recompensa que poderíamos almejar.

Mas para chegarmos hoje aqui, depois de uma longa caminhada,  tivemos o apoio de nossas companheiras ou companheiros, de nossos filhos,  de nossos netos, demais familiares e amigos. A eles, então, nosso muito obrigado.

Saúdo os colegas da minha Turma Médica de 1965, com a última frase que proferi do meu discurso de então, que é uma mensagem deixada por Hipócrates, Pai da Medicina, 360 anos antes de Cristo:

“Colega, se puderes curar cura, se não puderes alivia, mas consola sempre”.

Por intermédio dos nossos professores aqui presentes, Loreno Brentano, Ellis D´Arrigo Busnello, Pedro Gus e Décio Faraco de Azevedo, saúdo os demais docentes das outras unidades.

Por meio do paraninfo da turma da Escola Superior de Educação Física, de 1960, Jaime Werner dos Reis (Peixinho) saúdo, ainda que ausentes, os demais paraninfos, os professores homenageados e os demias professores.

Aos colegas que não estão mais conosco, nosso preito de saudade.

Muito obrigado.

Prof. Dr. Waldomiro Carlos Manfroi




DISCURSO A SER PROFERIDO NO JANTAR DOS 50 ANOS DA NOSSA TURMA MÉDICA 1965, NA NOITE DE 05/12/2015


Prof. Dr Waldomiro Carlos Manfroi

Saudação às autoridades de 1965

Prof. Dr. Carlos Fonseca Milano, Magnífico Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Prof. Dr. Francisco Marques Pereira, Diretor da Faculdade de Medicina da UFRGS.

Autoridades civis, militares e eclesiásticas.

Prof. Oly Lobato, nosso estimado paraninfo.

Professora Maria Clara Mariano da Rocha, nossa homenageada de honra.

Professores homenageados: Milton Pecis Abramovich, Manoel ª P. P. de Albuquerque, Ênio Candiota de Campos, Paulo Padilha Duarte, Luiz Alberto Fagundes, Ênio Barcellos Ferreira, Walter Guezzi, Nicanor Letti, Mário Rigatto.

Funcionário Homenageado: Gecy do Couto.


 


No dia 06/12/1965, honrado pela deferência dos colegas para ser o orador  da turma, assim agradeci ao nosso paraninfo e aos professores homenageados

Prof. Oly Lobato.

Nosso paraninfo.

Precisávamos escolher um padrinho para nossa comemoração. Vários eram merecedores de escolha. Em sua pessoa, entretanto, encontramos um meio para expressar nossa gratidão a todos aqueles que com amizade nos soubera dar o melhor de si. Sua figura de homem, em luta constante para o aprimoramento do ensino médico da nossa faculdade, será tomada por nós como exemplo, sua amizade guardaremos, seus ensinamentos os lembraremos em nossa profissão.

Nossos professores homenageados.

Tomo a liberdade de, por meio de um dos senhores, homenagear a todos os professores da Faculdade.

Professora Maria Clara Mariano da Rocha, professora dos senhores e nossa professora, exemplo típico de dedicação à medicina. Sua luta entusiástica em prol de uma escola de pediatria e algo que nos entusiasma. Muitos de nossos conhecimentos devemos a sua dedicação. Continue ensinando professora, continue sendo jovem junto a seus jovens alunos. Continue pensando nas crianças, porque assim estará pensando no futuro.


 


 


AGRADECIMENTO AOS PAIS

Queridos pais.

Tendes a vossa frente, o fruto de vosso esforço. Aqui estão os filhos que vistes nascer e se desenvolver. O jovem de ontem, é hoje um homem da sociedade. Muitos sacrifícios fizestes para que chegássemos até aqui. A recompensa só a voz pertence. O que temos para vos oferecer é pouco pelo muito que fizestes. Pretendemos oferecer-vos o que mais avulta em comemoração em nossa jornada: esta festa. Nossas roupas diferentes com as quais nunca nos vistes, são em vossa homenagem. As pessoas que aqui vieram foi por vós, os aplausos a vós pertencem.

Oferecemos ainda nossa palavra de que daremos a nossos filhos as mesmas condições que nos proporcionastes. Sentimo-nos no dever de dar a eles a mesma orientação, carinho e apoio que recebemos de vós.

Em nossa alma, jamais vos esqueceremos, a vós o nosso sincero agradecimento.

Companheiras e companheiros.

Às nossas esposas, esposos, noivos, noivas, namoradas,  pela compreensão, dedicamos nosso carinho.

COLEGAS PRESENTES NO JANTAR DE 50 ANOS


1.-  ANTONIO CARLOS TIMM

2.- ARNALDO KUNDE

3.-ASDRUBAL TAVARES

4.- BLAU FABRICIO DE SOUZA

5.- BRENO VEISMAN

6.- CARLOS ALBERTO LADEIRA

7.-CARLOS ALBERTO LEHNEN

8.-CARLOS FRANZEN

9.-CLAUDIO PAIVA

10.-DELCIO SANTOS

11.-ELIAS MORSCH

12.-FLAVIO FERLINI ARAUJO

13.-FLAVIO BEHR

14.- FRANKLIN CUNHA

15.-GERHARD HOBLIK

16.-GIUSEPPE REPETTO

17.-HARALD SCHULER

18.-HUMBERTO SCORZA

19.-ISSAO YMAY

20.-ISAIAS PINTO

21.-JOÃO ALFREDO ZOPPAS

22.-JOÃO CAFRUNI

23.-JOÃO BIANCHINI

24.-JORGE VELHO

25.-JOSE OPPERMANN

26.-LUIZ A. KEUNECKE

27.-LUIZ AYRES KERN

28.-LUIZ PEREIRA REGO

29.-LUIZ CARLOS LANTIERI

30.-MARIO ERNESTO CANSECO

31.-MARIO POSTIGLIONI

32.-NARA CARON

33.-NEI MACHADO

34.-NORMA ESCOSTEGUY

35.-PAULO LOMPA

36.-PONCIANO VIEIRA

37.-ROBERTO RODRIGUES

38.-SERGIO BERTOGLIO

39.-THEODORE GEORGIADIS

40.-VALERIO SEGALA

41.-WALDEMAR RIVOIRE

42.-WALDOMIRO MANFROI

43.-WALMOR PICININI

44-ZENIRO SANMARTIN

Juarez Brum,

Telmo Athaide

Alexandre Baldisseroto


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COLEGAS QUE NÃO ESTÃO MAIS CONOSCO


Adão Nicolau Pacheco


Frei Bazílio Zardo


Benito Beno Rotta


Carlos Erany Coelho Leal


Carlos Olavo Corrêa Chaves


Eduardo Jorge Gomes


Fernando de Oliveira Búrigo


Francisco Álvaro Estrela Spagnoli


Geraldo Carlos Da Camino


Gilberto Hoeltz


Harry Rössler Hekmann


Heitor Rosito


Hugo de Castro Menezes Cañete


João Fidelis Staub


José Luiz Lodeiro


José Fúlvio Amaral


Luando Lugon


Luiz Eraldo Rodrigues


Mário Conceição Pereira da Silva.


Mário Dardo Gabriel Hollweg


Natal José Amoretti


Onório Martins da Rocha


Orlando Pereira dos Santos


Renato Antônio Lopes Leal


Reno Duvílio Viero


Roque Roberto Tietzmann


Salvador Antôno Hackmann Célia


Telmo Cardoso de Aguiar.


Therezinha Roehe


Wanderley Reichmann Guerra


Wilson Carvalho Córdova


 


Em 06/12 de 1965, ao me dirigir aos colegas, reproduzo parte do que escrevi então.

COLEGAS

O certificado que recebemos hoje nos custou muitos sacrifícios, maiores são os que virão. Juntos passamos horas imemoráveis, juntos nos tornamos irmãos, ligados estaremos cotidianamente pelos laços de nossa profissão. Juntos devemos sentirmo-nos responsáveis pelas transformações da nossa Pátria. Nossa meta é o bem estar integral daqueles que nos procurarem. Nossas atividades serão orientadas no bom desempenho da função. Acima de tudo, devemos colocar nossos doentes. Se assim procedermos, a sociedade agradecido reconhecerá nossa luta. Esta será a maior recompensa que poderíamos almejar.


E DEPOIS DE 1965, COLEGAS.

Durante esses cinquenta anos de nossa inserção social, tivemos a oportunidade de acompanhar e a conviver com inúmeras e inimagináveis transformações. Dentre as mais expressivas podemos citar duas: as conquistas da mulher na sociedade e o aumento da vida das pessoas.  Se nas turmas que se formaram em 1965 havia, nos cursos mais tradicionais, a presença de 10% de mulheres, hoje elas são 60 a 70%. Na questão da saúde, se em 1965, as pessoas viviam em média sessenta anos, hoje vivemos 75. Todos nós formados em 1965 passamos de alguma maneira por todas essas transformações e com elas contribuímos para prolongar e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Nossa geração teve ainda o privilégio de participar de grandes discussões  e movimentos de nacionalização e soberania nacional, destacando-se dentre elas a campanha: O Petróleo é nosso.

Na área tecnológica e de mobilidade, convém lembrar que somos da época que usávamos bonde e trem para nos locomovermos. E que hoje, infelizmente, não existem mais. Nosso meio de produzir material didático era a máquina de escrever e o mimeógrafo, que foi substituído, pelo xérox. E logo surgiu, como aparelho mágico, o fax, que foi substituído pelo E-mail e que logo foram acompanhado por inúmeros outros dispositivos que vieram a revolucionar as relações entre pessoas, grupos, sociedade, meios de comunicação instituições, o ensino, a pesquisa e a extensão. Se com nossos filhos, revivemos as nossa lutas do vestibular, com os netos de 5 anos aprendemos operar os inúmeros dispositivos da tecnologia moderna.

Muitos de nós tivemos o privilégio de continuar nas hostes da vida acadêmica e administrativa de universidades, desta e de outras nacionais e estrangeiras. Outros seguiram caminhos diversos, em suas atividades profissionais relacionadas ao contexto social. Todos, sem exceção, tivemos a oportunidade de acompanhar o expressivo progresso que o mundo atingiu em todos os ramos do conhecimento  Adotamos diversas tendências ideológicas, religiosas, opiniões variadas em muitas questões, porém em uma delas fomos unânimes. Quando abordamos o bem estar físico, psicológico, econômico e social das pessoas a que servimos, agimos da mesma forma: o bem servir. Por fim, lembrarei minhas últimas palavras que proferi em 1965. que são conselhos do Pai da Medicina, Hipócrates, cunhados 360 anos antes de Cristo:

Colega, “se puderes curar, cura; se não puderes, alivia, mas consola sempre”.


Porto Alegre, 05/12/2015.

Waldomiro Carlos Manfroi




 


 


 


 


O sabor de trilhar o difícil caminho do novo: da ideia a sua consolidação


 


Quando Willians Harvey, em 1616, ao descobrir o verdadeiro caminho da circulação sanguínea, contrariava a teoria de Galeno que afirmava haver poros no septo interventricular, para se fazer as trocas gasosas do sangue. Mas compro­var que o sangue venoso se transforma em sangue arterial ao passar pelos capilares pulmonares, obteve a seguinte manifestação do Reitor da Universidade de Paris., Ruy Patin, em editorial: “Falsa, impossível e nefasto à saúde do homem, por não estar contida nos princípios de Galeno.”


As mesmas resistências são encontradas quando, no fim do século XVIII, Edward Jenner introduziu a vacina contra a varíola, por meio da inoculação com o pus da bexiga do gado. Os adversários religiosos da Inglaterra diziam que o Doutor Jenner queria bestializar as pessoas, ao lhe inocular matérias pútridas retirada das vacas. Que as crianças vacinadas apresentariam feições de boi e tumores surgiriam em suas cabeças, indicando os locais dos chifres. Toda a fisionomia, com o passar dos anos se transformaria, pouco a pouco, em fisionomia de vaca, e a voz em mu­gido de touro.


A partir do início do século XIX, quando Claude Bernard, descobriu o metabolismo do glicogênio e as propriedades do suco pancreático, dentre tantas outras notáveis descobertas, as resistências ao novo começam a arrefecer. Com a montagem de laboratórios de pesquisa e a introdução do Método de Descar­tes, surgiram outras grandes descobertas da ciência médica moderna, agora com muito menos resistência ao novo. Thomas Green Morton, em 1846 introduziu o éter como anestésico geral, Louis Pasteur e Robert Koch descobrem as bactérias e Rudolf Ludwig Karl Virchow, a relação entre as doenças e as alterações dos órgãos interno. Mas, se essas descobertas foram incorporadas na prática, para o bem da humanidade, nem por isso as resistências ao novo desapareceram de todo.


Esta reação ao novo, mesmo dentro da universidade, fica fácil de enten­der. Na universidade não há lugar para o consenso porque ela é um centro cultural de dúvidas, pois a ela se agregam pessoas que estão á procura da verdade. E como a verdade é circunstancial e temporal, a presença da mesma é questionada e testada a toda hora. Assim é, muitas vezes, o ritual da universidade frente ao novo: só aceita-lo, depois que deixa de ser novidade.


Então, nova foi a Disciplina Prática Educativa em Medicina, na sua con­cepção, quando começou em 1997. E por ser nova na sua prática de como ser um professor diferente do que os alunos estavam habituados, surgiram as resistências de boa parte dos participantes. Como admitir que existisse outra maneira de ensi­nar daquela que todos já conheciam e que vinha dando certo? Abandonar-se-ia a tradicional proposta do conhecimento centrado no professor, em troca do conhe­cimento centrado no aluno? Como substituir a tradicional aula magistral, onde o professor falava o tempo todo, o aluno ouvia? E aquela prova de questões de múltipla escolha, feita no final do semestre e que avaliava o quanto o aluno memo­rizara dos conhecimentos, seria substituída por que método mais eficiente? E onde estavam as evidências que a nova maneira de ensinar era melhor da já existente?



Como conseqüência destas atitudes, alguns alunos deixavam de apresen­tar seus trabalhos de conclusão e ficavam sem conceito. Muitos deles, só depois de 11 passados alguns anos, nos procuraram para saber por que não haviam passado na Disciplina.


Mas, com o andar dos trabalhos, as resistências foram diminuindo, de tal sorte, que nos estimulou a novos avanços, tais como: A publicação de um livro com os textos dos alunos feitos na Disciplina e a criação do Projeto de Pós-Gradu­ação em Educação e Saúde (Mestrado e Doutorado), da Faculdade de Medicina, com apoio da Faculdade de Educação. A criação de uma Linha de Pesquisa em Educação e Saúde nos Programas de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina não foi de fácil aceitação. Os argumentos eram mais do que plausíveis. “Onde se inseria esta linha de pesquisa e como avaliar o impacto da sua produção, para efeitos de avaliação da CAPES?”, eram as perguntas que os colegas da Comissão de Pós-Graduação, com justificáveis razões, faziam. “Não, não havia modelo an­teriores para ser comparado”, respondíamos “Era uma proposta inovadora para a Pós-Graduação Brasileira, que vinha ao encontro das mudanças propostas pelas Diretrizes Curriculares para o Ensino Médico Brasileiro do Ministério da Educa­ção”, respondíamos, com convicção de quem sabia sobre o que se falava.


“E o quê são Diretrizes Curriculares”, nos perguntavam. Entendemos então que estávamos propondo uma revolução no sistema de Pós-Graduação já consolidado no seu ritual do fazer. Foi então que uma professora teve a brilhante idéia de perguntar: “Por que vocês não apresentam um projeto, para que possamos avaliar melhor a proposta, pois tratava-se de algo novo e que nós não conhece­mos?” Com essa singela mas fundamental pergunta, o processo de convencimento progrediu.


Voltamos quinze dias após com o projeto para análise, que continha em sua introdução, dentre outros, os seguintes argumentos: “A partir da perspectiva e das estratégias geradas pela metodologia da medicina baseada em evidência, sur­giu a colaboração da EMBE (Educação Médica Baseada na Melhor Evidência), em forma de rede internacional, que tem como objetivo prioritário recolher e promo­ver o nível de maior evidência para colocar à disposição dos professores e das ins­tituições, a fim de avaliar o rigor e a qualidade dos atuais e dos novos métodos de ensino, visando à formação cada vez mais qualificada de médicos. Por outro lado, é sabido que a prática docente dos profissionais graduados em medicina reveste-se da especificidade de ser desempenhada, tradicionalmente, em três momentos distintos, mas integrados, quais sejam, a assistência, o ensino e a pesquisa, com no­tável diferença de enfoque e de hierarquia entre os três, no processo que permeia estes saberes e estes fazeres.


Na assistência, os professores de medicina têm várias oportunidades para se manterem atualizados. Na pesquisa, buscam sempre novas maneiras de com­preender e desenvolver a prática médica, promovendo um processo permanente de capacitação, até se tornarem um pesquisador independente.


Na docência, como demonstraram diversos trabalhos, a grande maioria dos professores das escolas médicas brasileiras não tem preparo pedagógico. Para completar este quadro de tríplice atuação, o fato de que, ao assumirem sua função docente, parecerem abandonar todo seu enfoque crítico sobre o que funciona e o 12


que não funciona, orientando-se na tradição e na intuição. De outra parte, há uma tendência dos mesmos em salientar em demasia o dito: se somos bons médicos, ensinamos bem.


Depois da análise do projeto, que estava fundamentado dentro dos rigo­res da pesquisa, a proposta foi aprovada.


Mas, se deixássemos assim o que ocorrera, a informação, omitirí­amos uma condição indispensável para o sucesso do novo: o apoio do líder de um grupo. Então, surge uma questão estratégica para entender o momento oportuno para avançar com o novo. Desde o início da discussão, o Coordena­dor da Comissão de Pós-Graduação da Medicina, Prof. Flavio Danni Fuchs, mesmo sem saber mais do que os outros membros da Comissão, deu guari­da à proposta e esteve sempre favorável a sua aprovação. Era um voto de con­fiança que ele depositava num dos seus antigos professores na graduação. Mas, havia um longo caminho a percorrer: o convencimento das instituições su­periores da Universidade. Sem o apoio da Câmara de Pós-Graduação, nossa proposta não teria avançado. Foi então que surgiu o acolhimento do novo por parte do seu Presidente: Prof. Dr. Roberto Fernando de Souza. Ele não só deu apoio, como inseriu a nova proposta nos projetos emergentes da Universidade.


A partir de então, passamos a apresentar o, agora aprovado, Projeto de Pós-Gra­duação em Educação e Saúde em diversos eventos nacionais e internacionais sobre Educação Médica.


Em outubro de 2006, ao apresentarmos nosso Projeto, numa mesa redon­da, no Congresso Brasileiro de Educação Médica, os mais de duzentos participan­tes promoveram, espontaneamente, um abaixo assinado, solicitando que a ABEM nos indicasse para coordenar um movimento, para implementação de propostas semelhantes, em nível nacional. Na Assembléia Geral do Evento, a proposta foi aceita e, a partir de então, passamos a coordenar o GRUPO ABEM de Pós-Gradu­ação.


Depois de um ano de discussão via internet, foi realizada a primeira Ofi­cina em Uberlândia, em 2007, quando foram discutidos os seguintes tópicos:


Pensando a oficina...


A Pós-Graduação Brasileira “extricto sensu”, foi implementada através do parecer 977/65, do Conselho Federal de Educação, sendo relatado pelo Conselhei­ro Newton Sucupira, com o objetivo de: 1. Formar professorado competente que possa atender à expansão quantitativa do nosso ensino superior, garantindo ao mesmo tempo, a elevação dos atuais níveis de qualidade; 2. Estimular o desenvol­vimento de pesquisa científica por meio de preparação adequada dos pesquisado­res; 3. Assegurar o treinamento eficaz de técnicos e trabalhadores intelectuais do mais alto padrão, para fazer face às necessidades do desenvolvimento nacional em todos os setores.


O objetivo explicitado no segundo item do texto que criou a Pós-Gradua­ção Brasileira foi plenamente atingido, até a presente data, no aspecto de: “estimu­lar o desenvolvimento de pesquisa científica por meio da preparação adequada de 13


pesquisadores”, pois, hoje, ocupamos o 15°/16° no ranking da produção cientifica mundial. Mas, se a formação de pesquisadores e a produção de conhecimento vi­nham se aprimorando, através dos anos, o mesmo não se observava no preparo pedagógico dos docentes. Por outro lado, o progresso da pós-graduação foi crian­do caminhos próprios que afastavam os professores pesquisadores das tarefas e da convivência com o ensino de graduação. Foi só na implementação do III Plano Nacional (1986) que surgiu a preocupação com a necessidade de integração entre ensino e pesquisa e entre graduação e pós-graduação.


Por outro lado, de maneira mais recente, As Diretrizes Curriculares do Ensino Médico Brasileiro dispõem, entre tantas outras proposições: “ que o ensino na graduação deva obedecer aos princípios...


É notório que, com o perfil e característica dos professores atuais, não há condições para cumprir o que determinam as Diretrizes Curriculares. Como fazer para retomar os propósitos da Pós-Graduação brasileiro nos seus dois polos de desenvolvimento: formação de pesquisador e de docente, ambos qualificados?


Cada faculdade/unidade capacitaria seus professores através de cursos de especiais? Cada unidade criaria Programa de Pós-Graduação? Cada unidade cria­ria uma linha de pesquisa em Educação e Saúde nos Programas já existentes? Qual o papel das Faculdades de Educação neste processo? Como oficializar essas linhas de pesquisa nas Universidades e na CAPES? (Como a ABEM poderia contribuir).


Se em nível nacional, havia avanço na aceitação do movimento, em nível local nosso projeto de Pós-Graduação, em 2007, vivia o risco de extinção. Felizmente, contando com apoio da Faculdade de Educação, os 11 alunos dos 12 selecionados, em 2004 conseguiram obter seus créditos. Não só tinham obtido os créditos, como boa parte deles já defendiam suas dissertações e teses, prevendo-se que, no fim de 2008, todos teriam obtido o grau de mestre ou doutor.


Mas o que fazer, então, depois de 2008?, começamos a nos perguntar. Como liderar, em nível nacional, um movimento, cuja ideia morreria na sua ori­gem?


Pelo fato de continuarmos a contar com o apoio da Faculdade de Edu­cação, decidimos discutir, então, na Comissão de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina a possibilidade de abrirmos vagas para nova turma com ingresso em março de 2008. E lá, como da vez anterior, contamos com o apoio tão importante do Coordenador da Comissão: Prof. Dr. Marcelo Zubaran Goldani. Pelo fato de ele já conhecer o Projeto por ter participado como orientador e como coordenador de disciplina, o andamento da proposta foi bem mais fácil do que da vez anterior. Assim, em novembro de 2007, foi lançado o Edital para 7 vagas do Projeto de Pós-Graduação em Educação e Saúde, da Faculdade de Medicina e com apoio da Faculdade de Educação. Depois de passarem no exame da Fundação Médica, os candidatos foram avaliados pelos seus currículos, suas propostas de projetos e pela suas entrevistas. No final dos trabalhos, dada a excelência dos candidatos, decidiu-se aumentar as vagas de 7 para 10.


Assim, em março de 2008, nova turma dava sustentação à proposta, en­quanto os alunos da turma anterior defendiam suas dissertações e teses.14


Ainda em 2008, um fato novo, viria dar mais força à nova proposta. Este fato tornava-se mais relevante porque partia da Professora Doutora Valquíria Lin­ck Bassani, Pró-Reitora de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Conhecedora do nosso Projeto, desde o início, por ter participado de parte das atividades, quando era Diretora da Faculdade de Farmácia, ela lembrou-se que ali estava um dos projetos a ser incluídos como uma das futuras ações estratégicas da UFRGS. Para tanto, nos colocou à disposição na Pró-Reitoria, recursos mate­riais e de pessoal, para inscrevermos nosso Projeto como uma das propostas Es­tratégicas da UFRGS, para 2010-2012 num Edital do CNPq, 2. Vencida a etapa do Edital, nos solicitou que liderássemos um grupo de trabalho, para transformarmos nosso Projeto de Pós-Graduação Educação e Saúde em Programa Multidisciplinar Educação e Saúde. Assim, ela deu a partida, quando convidou Diretores e Coor­denadores da Pós-Graduação para discutirmos o início dos trabalhos, visando à elaboração de proposta. A partir de então, junto com a Professora Carmen, pas­samos a coordenar o grupo de trabalho para identificar professores interessados a participarem do futuro Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação Educação e Saúde da UFRGS. No prazo de um ano de trabalho, conseguimos a adesão de 25 professores provenientes das seguintes unidades: Faculdade de Medicina, Fa­culdade de Educação, Faculdade de Odontologia, Faculdade de Farmácia, Escola de Educação Física e Instituto de Química. Com a colaboração desse grupo de trabalho e, mais especificamente, com um núcleo de sistematização, conseguiu-se montar uma proposta de Programa, aprová-lo nas Comissões de Pós-Graduação e no Conselho da Faculdade e envio posterior à Câmara de Pós-Graduação: Coor­denadores das Comissões de Pós-Graduação e Diretores da FAMED e da FACED, em 17 de junho de 2009


A proposta de criação de um Programa Multidisciplinar Educação e Saú­de, depois de analisado pela Câmara de Pós-Graduação, retornou para reajustes e complementação de informações. No decorrer do atendimento às sugestões e, em face de outros movimentos similares no País, o Grupo entendeu que a melhor designação seria Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação Educação e Saúde. Com esta nova designação e depois de atendidas às solicitações, a proposta foi enviada à Câmara de Pós-Graduação em novembro de 2009. Em janeiro de 2010, depois de nova análise, o processo retornou, para outras modificações, além da informação de que, devido aos critérios de avaliação da CAPES, a produção do Grupo de Professores na Área da Educação e Saúde não era suficiente para uma aprovação de curso novo.


E fora Porto Alegre?


Em nível nacional, com o andar das discussões do GRUPO ABEM Pós-Graduação e das Oficinas de trabalho, percebeu-se que havia uma necessidade imperiosa de se desenvolver alguma ação em nível governamental, para que o pro­cesso se ampliasse e se consolidasse. Foi então que, em 2008, decidimos fazer con­tato com Doutora Ana Estela Haddad, Diretora de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, para informá-la sobre o que vínhamos desenvolvendo na 15


ABEM e convidá-la a participar da nossa próxima Oficina que seria desenvolvida em outubro de 2008 em Salvador – Bahia, na qual constava a seguinte programa­ção:


Outras propostas...


Participantes: Adriana Aguiar (FNEPAS/ABEM), Eliana Amaral (UNI­CAMP/SP-FAIMER/BR), Francisco Arsego de Oliveira (UFRGS/RS), Cristiane Barelli (UPF/RS), Danilo Blank (UFRGS/RS), Carlos Henrique Martins da Silva (UFU), Evania Luiza de Araújo (UPF/RS), Ivan Antonello (PUCRS/RS), Jadete Barbosa Lampert (UFSM/ABEM), Jorge Alberto Buchabqui (UFRGS/RS), Marcia Hiromi Sakai (SGTES/MS), Mariangela Cainelli Oliveira Prado (UNIFESP/SP), Maria Lucia da S. G. Jorge (FEPAR), Nildo Alves Batista (UNIFESP/SP), Nilce Ma­ria Silva Campos Costa (UFG/GO), Cynthia Isabel Ramos Vivas Ponte (UFRGS/RS), Vicente Madeira(UNIFESO), Regina H. P. Mennin (UNIFESP/SP), Rosana


Programação da Oficina do Grupo Pós-Graduação em Educa­ção Médica(Saúde) realizada no dia Data: 18/10/2008, 14h às 18h15min, no 46º Congresso Brasileiro de Educação Médica- Sal­vador Bahia.


Fundamentação: Depois de dois anos de discussão e a realização de uma oficina, o Grupo ABEM Pós-Graduação em Educação Médica(Saúde) entende que a mudança de paradigma do ensino, da pesquisa e do fazer médico (Área da Saúde) somente se consoli­dará se desenvolvermos conhecimentos em educação e formarmos recursos humanos com outros perfis de atuação na prática e na do­cência. Isso importa numa participação mais efetiva dos Programas da Pós-Graduação Brasileira, para a formulação de novos enfoques da pesquisa e de formação de profissionais para a docência. Para tanto, o Grupo ABEM PG tem os seguintes objetivos: estimular a implementação de linhas de pesquisa em Educação Médica(Saúde) nos Programas de Pós-Graduação existentes e ou cooperar para a implementação de Programas de Pós-Graduação em Educação Médica(Educação para a Saúde) em nível nacional.


PROPOSTA DE TRABALHO:


Montar uma massa crítica de Professores da ABEM, visando à im­plementação de um Programa de Pós-Graduação, em nível nacio­nal, com a participação desses professores, que tenham doutorado em Educação ou Doutorado na sua área e outra capacitação em educação (mestrado, especialização, FAIMER, etc em Educação) e que tenham se dedicado em trabalhos de Educação Médica e ou Educação e Saúde.


Promover ações para Implementação de cinco Programas regionais (Nordeste, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre) – todos com mestrado e doutorado, com a participação dos Ministérios da Saúde e Educação, ABEM, OPAS, CAPES, tendo a participação dos mesmos professores.


Estimular a criação de uma linha de pesquisa em Pós-Graduação em Educação Médica (Saúde), nos programas de Pós-Graduação constituídos, com apoio da ABEM e CAPES. O Banco de Profes­sores da ABEM daria o suporte, para desenvolverem as atividades nas disciplinas e na co-orientação, de forma presencial e à distância16


Alves (UNIVIX/ES), Ruy Souza (UFRR/RR), Suely Grosseman (UFSC/SC), Silvia M. R. R. Passeri (UNICAMP/SP), Sylvia Helena Souza da Silva Batista (UNIFESP/SP), Maria Valéria Abreu Lima (UEPG/PR), Victoria Maria Brant Ribeiro (NU­TES/RJ), Waldomiro Carlos Manfroi (UFRGS/RS).


RELATÓRIO DE CADA GRUPO DA OFICINA


GRUPO 1:


O grupo apontou uma tendência para as seguintes deliberações: Imple­mentar Mestrados Profissionalizantes regionais, atendendo as peculiaridades de cada região. Apoio à proposta de uma frente nacional, coordenada pela ABEM, chamando interessados em propor mestrado e doutorado acadêmico em pesquisa educacional na área da saúde, já trazendo parceiros interinstitucionais com pro­postas sustentáveis. Subsidiar a nova diretoria da ABEM para negociação política com CAPES e CNPq. Criar frente interna para melhorar o impacto da revista da ABEM – produções mais qualificadas, bilíngüe. Avançar a pesquisa em educação a partir dos modelos meramente descritivos para avaliação crítica de resultados. Organização de um livro sobre o que é pesquisa em educação e saúde, com edi­toras estratégicas (pontuação CAPES). Promover parcerias com mentoring para assessorar as publicações. Identificação da demanda para os programas (o projeto nacional-acadêmico e os projetos de mestrado profissionalizante).


GRUPO 2:


O Grupo 2 defendeu as seguintes iniciativas: Apoiar a implementação de um programa interdisciplinar e multicêntrico – educação e saúde, de âmbito nacional. Necessidade de criação de uma política indutora nacional junto ao Mi­nistério da Saúde e Ministério da Educação, mobilizando outras associações de en­sino (ABEn, ABENO, ABENFAR, ABENFISIO, ABEPS, entre outras) e o próprio FNEPAS, como fórum articulador das profissões da saúde. A ABEM deverá me­diar o processo, integrada aos demais órgãos. Alguns questionamentos do grupo: onde sediar o programa? Em qual comitê na CAPES esta proposta se enquadraria? Sugestão de criação de uma área semelhante ao CTC Interdisciplinar.


Sugestão para operacionalizar: política indutora, por meio do lançamen­to de um edital, prevendo a criação de centros com capacidade de iniciar um pro­grama de pós-graduação em parceria (massa critica previamente identificada), no prazo de 5 anos. Um dos argumentos para tal proposição é a necessidade de pro­fissionalização permanente e valorização da atividade docente na área da saúde em âmbito nacional. Necessidade de integração da proposta com as políticas públicas atuais voltadas à formação de recursos humanos para saúde. O programa deverá proporcionar movimentos para integração das pró-reitorias das instituições, vi­sando a implementação de processos articulados entre ensino, pesquisa e exten­são. Necessidade de alinhamento das disciplinas de prática discente atualmente existentes nos programas de pós-graduação na área da saúde com as propostas deste Grupo de Trabalho e das políticas nacionais de formação em saúde. Dar 17


visibilidade junto a CAPES destas discussões e demandas (reuniões, eventos estra­tégicos)


GRUPO 03:


O grupo teve as seguintes conclusões: Elaboração de um projeto inte­rinstitucional a partir do GT, mapeando a situação atual, identificando os objetos de estudo e os desenhos metodológicos das pesquisas do campo. Levantar pos­sibilidades de parcerias para desenvolver MINTER e DINTER. Estabelecer uma interlocução com a CAPES, identificando que áreas/comitês poderiam acolher um programa na área.


No final, o grupo deliberou por unanimidade que este projeto inclua em sua denominação a expressão Pós-Graduação em Educação e Saúde.


Resta salientar como dado importante que, na oficina, se fez presente uma representante do Ministério da Saúde, que participou de toda a discussão, sem informar que ali estava como observadora oficial.


No mesmo evento, antes de apresentar sua conferência, o Secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Prof. Dr. Francisco Campos fez o seguinte desafio público: “Diante da necessidade imperio­sa de incorporação a docência e a pesquisa nos movimentos inovadores do SUS, faço um desafios aos Professores Manfroi, Brenelli, Nildo Batista e outros inte­ressados que montem programas de Pós-Graduação que venham atender à essas importantes necessidades do Ministério da Saúde”.


Logo após o Congresso da ABEM em Salvado, Prof. Francisco Campos e Ana Estela Haddad instituíram um grupo de trabalho, para desenvolver uma ação no Ministério da Saúde, visando implementar Programas de Pós-Graduação em Educação e Saúde. O grupo ficou assim constituído: Ana Estela Haddad (MS/SG­TES/DEGES – Diretora), Nildo Alves Batista (UNIFESP), Maria Amélia de Cam­pos Oliveira (EEUSP), Maria Celeste Morita (UEL), Márcia Sakai ((MS/SGTES/DEGES ), Geraldo Cunha Cury (UFMG – Pró-Saúde), Waldomiro Carlos Manfroi (UFRGS), Maria Rita Bertolozzi (EEUSP), Francisco Campos (Secretário de Ges­tão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde).


Em reuniões periódicas, durante o ano de 2009, o grupo de trabalho apresentou a proposta para a CAPES de criação Programa de Incentivo à Pós-Graduação na Área do Ensino na Saúde – PRÓ-ENSINO NA SAÚDE, abrangen­do Mestrado Profissional, Mestrado e Doutorado Acadêmicos, e Projetos de Pós-Doutorado.


A CAPES acatou as propostas e, depois da realização de um seminário em Brasília, lançou os Editais Mestrado Profissional Ensino na Saúde e o Edital 24/2010 Ensino na Saúde – Mestrado, Doutorado e Projetos de Pós-Doutorado. Para o ano de 2011, foram aprovadas inúmeras propostas, provenientes de todo o território nacional. .


Em resumo, depois dessa pequena viagem na memória, devo dizer que faço esta introdução com o sentimento de que participei, junto com a Professora Carmen, de uma grande revolução na Prática Educativa. Não só participamos, 18  como vimos acontecer, em vida, algo inimaginável: A implementação pela CAPES do Programa de Incentivo à Pós-Graduação na Área do Ensino na Saúde – PRÓ-ENSINO NA SAÚDE, abrangendo Mestrado Profissional, Mestrado e Doutorado Acadêmicos, e Projetos de Pós-Doutorado.


Então, saudemos e saboreemos, também, o segundo livro da Disciplina Prática Educativa em Medicina.


Waldomiro Carlos Manfroi.


 


 


 



 



RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE: DE 1981 A 2010. 


 


 Waldomiro Carlos Manfroi


 Médico e escritor


Quando o Dr. Cyro Martins motivou um grupo de colegas médicos das diversas especialidades a se incorporarem a ele para realizar um seminário sobre a Perspectiva da Relação Médico-Paciente, os rituais do fazer na medicina e da formação médica, em Porto Alegre e no mundo, eram distintos dos de hoje,. Não só o universo da Medicina era diferente, como mundo todo se transformava em sua concepção social.


 Na política, o Brasil, ainda, continuava sob a égide de um regime de exceção e recém engatinhava para a tão sonhada abertura política. Na União Soviética Socialista, se matinha o poder de ferro do Partido Comunista, desde a Revolução de 1917. A Guerra Fria entre Estados Unidos da América do Norte e União Soviética se intensificava e o mundo vivia ameaçado por uma guerra atômica, de conseqüências inimagináveis. Na Alemanha, o Muro de Berlim. Nos Países do Leste Europeu não havia democracia como.


Hoje, no Brasil e nos países desmembrados da antiga República Soviética Socialista e do Leste Europeu reina a Democracia, com plenas liberdades de expressão, de ir e vir e de fazer. E o Muro de Berlim caiu.


Na Medicina, as mudanças ocorreram quase na mesma proporção. No início da década de 1980, vivia-se a fase inicial e ainda duvidosa dos transplantes de órgãos e os estudos experimentais do assim chamado “Nenê de Proveta.”. Dos equipamentos tecnológicos mais avançados, contávamos com a Ecografia Unidimensional, o Cateterismo Cardíaco, apenas para diagnóstico e definição de conduta, a Cintilografia Miocárdica, pulmonar e renal. Hoje, além do aprimoramento desses suportes técnicos, surgiram a Tomografia Computadorizada, a Ressonância Magnética e outros. Então, o Cateterismo Cardíaco deixou de ser visto com um exame tão ameaçador, que exigia uma relação médico-paciente toda especial. Daí de não haver mais necessidade de um capítulo especial sobre o tema.


A assistência médica era, na sua predominância, do tipo liberal. Os pacientes das classes mais favorecidas tinham seu médico particular, cujo atendimento era feito em consultório ou a domicílio, quando o paciente assim o precisasse. Para as emergências, havia o pronto Socorro Municipal e três serviços particulares. A massa da população de trabalhadores era atendida pelo Instituto Nacional de Previdência Nacional. Os que não possuíam carteira de trabalho assinada ou fosse considerado pobre era atendido pela Santa Casa de Misericórdia. E os trabalhadores rurais, quase não tinham nenhum tipo de assistência médica.


A implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1989, estende a assistência gratuita e universal a toda a população brasileira, mudando então todo o perfil do atendimento médico da população. Como um dos princípios doutrinários do SUS é uma atuação baseada na integralidade, suas ações buscam assegurar ao usuário uma atenção que inclui promoção, prevenção, tratamento e reabilitação. Para tanto, disponibiliza um conjunto de ações e serviços direcionados de forma indivisível para a saúde e não apenas para a doença. Surge nessa época, também, os chamados Planos de Saúde, que vão intermediar uma relação entre paciente e médico, retirando aquela tradição de uma relação entre o binômio médico-paciente do modelo tradicional.


Como se observa, foi uma mudança radical na assistência médica e em pouco tempo, que causou impacto no fazer dos profissionais, na relação médico-paciente e no ensino médico.


Do ponto de vista social, em Porto Alegre não havia shoppings centeres. As pessoas se deslocavam das suas residências para freqüentarem as casas de cinema no centro da cidade e ou em alguns poucos espaços ofertados em bairros. Jantavam em restaurantes sofisticados e freqüentavam bares tradicionais. E hoje, apenas a rivalidade entre colorados e gremistas se mantêm a mesma.


Preocupados com a qualidade dos profisisonais formados, um grupo de médicos da Associação Médica do Rio Grande do Sul, lança o Exame de Avaliação AMRIGS, que pretendia, num decurso de tempo, ser implementado em nível nacional. Infelizmente a idéia prosperou por 15 anos. Mas logo foi enfraquecendo, até desaparecer para surgir na discussão da atualidade, inclusive, no Congresso Nacional.


Antes de entrarmos no cerne da questão, Perspectivas da Relação Médico-Paciente, uma análise sobre a origem da idéia que gerou o seminário e o livro. Cyro Martins era o analista de um grande número de médicos e de professores de medicina, de Porto Alegre, que se dedicavam às diversas especialidades, as quais se ampliavam numa velocidade espantosa mundo afora. Há apenas 4 anos, a Organização Mundial de Saúde, preocupada com o andamento da questão saúde, havia realizado sua Primeira Conferência, em Alma Ata, no Kasaquistão, para debater a questão. Nesse encontro, foi atribuída uma conotação mais ecológica ao capítulo saúde. Definida então como um bem estar integral social, econômico, psicológico e não apenas como ausência de doença. Foram deliberadas, também, as diretrizes para a formação dos recursos humanos da área da saúde que contemplassem a arrojada perspectiva: Médicos para todos no ano de 2000.


Em Porto Alegre, grande parte dos professores, preocupados com o ensino médico e que trabalhavam e ensinavam na Santa Casa de Misericórdia, se transferiram para o Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Surgia, então, neste novo ambiente, múltiplas outras responsabilidades do dia-a-dia dos docentes. Além da assistência e do ensino, teórico e prático à beira do leito, surge o manuseio de novos equipamentos e a dedicação de parte da carga horária para o ensino de Pós-Graduação e para a pesquisa. Diante de todas essas novas realidades do ser e do fazer médico e na docência, rompe-se o ritual do tempo necessário para uma boa relação médico-paciente. Sendo os professores os mesmos para todas as tarefas: assistência, ensino, pesquisa e carga horária para operar novos equipamentos e interpretar exames diferenciados, o tempo foi encurtado em alguma outra atividade. Se os equipamentos modernos trouxeram respostas mais rápidas e mais fieis para a solução de graves problemas de saúde e que antes não tinham solução, a carga horária para as novas atividades vão sendo retiradas daquele espaço tradicional destinado à relação médico-paciente, médico-família e professor-aluno.


Surgem, então, as queixas e o espanto dos professores para o analista e humanista Cyro Martins.. Como e o quê fazer para conservar a insubstituível e milenar conquista médica, que fora introduzida por Hipócrates, 460 anos antes da nossa era atual. Dizia ele então. “Na boa relação com o paciente e ao examinar seu corpo, requer visão, audição, olfato, tato, paladar e razão.” Em suma, tempo, atenção, dedicação e amor.


Estimulados, na época, pelos postulados da Conferência de Alma Ata, um grupo de professores que integravam a Comissão de Graduação da Faculdade de Medicina(FAMED) da UFRGS conseguiu aprovar uma reforma curricular, onde se previa a formação de um médico geral, que antes de qualquer especialidade, deveria ter adquirido as seguintes competências e habilidades, dentre outras: Entrevistar pacientes, estabelecendo com eles e seus familiares um relacionamento adequado; realizar exame clínico sistematizado; interpretar os dados clínicos obtidos, de forma a avaliar o paciente como um todo( em seus aspectos bio-psicológicos e sociais); elaborar hipóteses diagnósticas e equacionar os problemas dos pacientes; tomar medidas de urgência quando necessárias à manutenção das funções...


Foi desse aparente conflito que Cyro Martins teve a idéia de realizar o seminário. Ele aconteceu durante todo o dia de um sábado, no Anfiteatro do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, em fins de 1979, quando se fizeram presentes em torno de 250 médicos interessadas no tema. Daí para a publicação do livro, aconteceu nova provocação do Doutor Cyro: “Um feito memorável como aquele devia ser publicado, para sensibilizar mais colegas na manutenção dos preceitos humanísticos da Medicina.”


Hoje, para a retomada no novo volume, sob a inspiração de Helena Martins, aproveitamos para salientar que, embora Cyro Martins não se faça de corpo presente, suas preocupações se mantêm. A luta para formar este médico preconizado pela Conferência de Alma Ata e pelo seminário persiste.


O grupo de professores que realizou a primeira reforma na Faculdade de Medicina da UFRGS, em 1979, deu a partida para um movimento que, mesmo com avanços e recuos, nunca mais cessasse. Pelo contrário, ampliou-se em nível nacional e internacional. No Brasil, em 1990, a Comissão Interinstitucional de Avaliação do Ensino Médico, instituída pela ABEM, identificou sérias deficiências no processo de formação dos médicos, do corpo docente e das referências pedagógicas adotadas no ensino de graduação. E atualmente, além da Organização Mundial de Saúde, a organização Pan-americana de Saúde, a Associação Brasileira de Educação Médica, os Ministério da Saúde e da Educação estão empenhados em levar avante as reformas preconizadas pelas Diretrizes Curriculares, implementadas em 2001, as quais prevêem um médico que tenha, dentre outras, as seguintes competências: O Curso de Graduação em Medicina tem como perfil do formando egresso/profissional o médico, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva. Capacitado a atuar, pautado em princípios éticos, no processo de saúde-doença em seus diferentes níveis de atenção, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano...


Assim como o Cyro e muitos outros colegas autores do livro não estejam mais presentes, nós que ainda temos o privilégio de contribuir com a nova edição, não somos mais o mesmo, como Porto Alegre o e mundo não são mais os mesmos.


Pessoalmente, em 1981, para cumprimento do meu capítulo, trazia comigo a seguinte bagagem: a lembrança do meu discurso de formatura de 1965, quando já me preocupava com o tema da relação médico-paciente; a vivência de 11 anos como professor de Medicina, a vivência de ter participado daquela primeira Comissão que implementou uma arrojada e inovadora reforma inovadora no Currículo da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do rio Grande do Sul. Tinha também, minhas experiências, de nível nacional e internacional do Cateterismo Cardíaco e o ingresso no fascinante mundo da Pós-Graduação e da pesquisa. Eu queria ser pesquisador, especialista em cateterismo cardíaco, sem perder as prazerosas relações de professor-aluno e médico-paciente. Era o meu conflito na época. Hoje,. não realizo mais cateterismo cardíaco, mas trago a experiência de ter participado de outra grande reforma curricular de 2001 a 2005 para implementar as Diretrizes Curriculares. Como Diretor da Faculdade por duas vezes, tive o privilégio de acompanhar todos esses movimentos relacionados à educação médica e os relacionados aos avanços inimagináveis da ciência e da tecnologia.


Todas essas descobertas e avanços tecnológicos, sem dúvida, tiveram seus reflexos positivos sobre a vida das pessoas. A expectativa de vida que era de 60 anos, quando foi publicado o livro Perspectivas da Relação Médico-Paciente, passou para 71 em 2008. Mesmo que as pessoas tenham ganhado mais 10 anos de vida e com qualidade bem melhor, nem por isso, os problemas da formação médica foram solucionados. Pelo contrário, a luta para a formação de um médico humanística continua.


E continua, por que?


Continua porque os médicos e os pacientes não estão satisfeitos.


O poema, Onde Andará Meu Doutor?, da médica Tatiana Bruscky, ilustram bem o que pretendemos dizer:


  


ONDE ANDARÁ MEU DOUTOR?


 


Hoje acordei sentindo uma dorzinha,


 


aquela dor sem explicação, e uma palpitação,


 


resolvi procurar um doutor,


 


fui divagando pelo caminho...


 


lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco


 


e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...


 


o Meu Doutor que curava a minha dor,


 


não apenas a do meu corpo mas a da minha alma,


 


que me transmitia paz e calma!


 


 


Chegando à recepção do consultório,


 


fui atendida com uma pergunta:


 


QUAL O SEU PLANO? O MEU PLANO?


 


Ah, o meu plano é viver mais e feliz!


 


é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio


 


e preencher esse vazio que sinto agora!


 


Mas a resposta teria que ser outra...


 


 


o MEU PLANO DE SAÚDE...


 


Apresentei o documento do dito cujo


 


já meio suado, tanto quanto o meu bolso, e aguardei...


 


Quando fui chamada corri apressada,


 


ia ser atendida pelo Doutor,


 


aquele que cura qualquer tipo de dor,


 


entrei e o olhei, me surpreendi,


 


rosto trancado, triste e cansado...


 


será que ele estava adoentado?


 


é, quem sabe, talvez gripado


 


não tinha um semblante alegre,


 


provavelmente devido à febre...


 


dei um sorriso meio de lado e um bom dia...


 


sobre a mesa, à sua frente, um computador,


 


e no seu semblante a sua dor,


 


o que fizeram com o Doutor?


 


 


Quando ouvi a sua voz de repente:


 


O que a senhora sente?


 


Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo...


 


parecia mais doente do que eu, a paciente...


 


Eu? ah! sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação


 


e esperei a sua reação,


 


vai me examinar, escutar a minha voz


 


auscultar o meu coração...


 


para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse:


 


peça autorização desses exames para conseguir a realização...


 


quando li quase morri...


 


 


TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA,


 


RESSONÂNCIA MAGNÉTICA


 


e CINTILOGRAFIA!


 


 


ai, meu Deus! que agonia!


 


eu só conhecia uma tal de abreugrafia...


 


só sabia o que era ressonar (dormir),


 


de magnético eu conhecia um olhar...


 


e cintilar só o das estrelas!


 


estaria eu à beira da morte? de ir para o céu?


 


iria morrer assim ao léu?


 


naquele instante timidamente pensei em falar:


 


terá o senhor uma amostra grátis


 


de calor humano para aquecer esse meu frio?


 


que fazer com essa sensação de vazio? e observe, Doutor,


 


o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que


 


A ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.


 


 


Olhe para mim...


 


bem verdade que o juramento dele está ultrapassado!


 


médico não é sacerdote...


 


tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...


 


mas, por favor, me olhe, ouça a minha história!


 


preciso que o senhor me escute, ausculte


 


e examine!


 


 


estou sentindo falta de dizer até aquele 33!


 


não me abandone assim de uma vez!


 


procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!


 


alimente a minha mente e o meu coração...


 


me dê, ao menos, uma explicação!


 


o senhor não se informou se eu ando descalça... ando sim!


 


gosto de pisar na areia e seguir em frente


 


deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida,


 


estarei errada?


 


ou estarei com o verme do amarelão?


 


existirá umas gotinhas de solução?


 


 


será que já existe vacina contra o tédio?


 


ou não terá remédio?


 


que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor!


 


cadê o Sccot, aquele da Emulsão?


 


que tinha um gosto horrível mas me deixava forte


 


que nem um Sansão!


 


e o Elixir? Paregórico e categórico,


 


e o chazinho de cidreira,


 


que me deixava a sorrir sem tonteiras?


 


será que pensei asneiras?


 


 


Ah! meu querido e adoentado Doutor!


 


sinto saudades


 


dos seus ouvidos para me escutar,


 


das suas mãos para me examinar,


 


do seu olhar compreensivo e amigo...


 


do seu pensar...


 


o seu sorriso que aliviava a minha dor...


 


que me dava forças para lutar contra a doença...


 


e que estimulava a minha saúde e a minha crença...


 


sairei daqui para um ataúde?


 


preciso viver e ter saúde!


 


por favor, me ajude!


 


 


Oh! meu Deus, cuide do meu médico e de mim,


 


caso contrário chegaremos ao fim...


 


porque da consulta só restou uma requisição


 


digitada em um computador


 


e o olhar vago e cansado do Doutor!


 


precisamos urgente dos nossos médicos amigos,


 


a medicina agoniza...


 


ouço até os seus gemidos...


 


 


Por favor, tragam de volta o meu Doutor!


 


estamos todos doentes e sentindo dor...


 


e peço, para o ser humano, uma receita de calor,


 


e para o exercício da medicina uma prescrição de amor!


 


 


 


Então, o quê fazer para que volte a confiança dos pacientes nos médicos e estes recuperem a felicidade no seu trabalho.


 


É, sem dúvida, uma tarefa árdua, mas animadora, pelos campos de oportunidades de mudanças para melhor que se visualiza. A começar pela formação médica na atualidade. A prática docente dos professores reveste-se da especificidade de ser desempenhada, tradicionalmente, em três momentos distintos, mas integrados, quais sejam: a assistência, o ensino e a pesquisa, com notável diferença de enfoque e de hierarquia entre as três, no processo que permeia estes saberes e estes fazeres.


 


Na assistência, os professores de medicina têm várias oportunidades para se manterem atualizados no seu fazer médico. Na pesquisa, buscam sempre novas maneiras de compreender e desenvolver a prática, promovendo um processo permanente de capacitação, até se tornarem um pesquisador independente. Na docência, como tem sido demonstrado em tantas momentos, a grande maioria dos professores das escolas médicas brasileiras não tem preparo pedagógico. Para completar este quadro de tríplice atuação, o fato de que, ao assumirem sua função docente, parecerem abandonar todo seu enfoque crítico sobre o que está certo e o que está errado, orientando-se pela tradição e pela intuição. De outra parte, há uma tendência dos mesmos em afirmar, em demasia, o dito: "se somos bons médicos, ensinamos bem”.


 


Felizmente, vislumbram-se caminhos e processos que apontam estratégias para a solução do impasse. Por exemplo, a partir da perspectiva e das estratégias geradas pela metodologia da medicina baseada em evidência, surgiu a colaboração da Educação Médica Baseada na Melhor Evidência, em forma de rede internacional, que tem como objetivo prioritário recolher e promover o nível de maior evidência para colocar à disposição dos professores e das instituições, a fim de avaliar o rigor e a qualidade dos atuais e dos novos métodos de ensino e avaliação, visando à formação cada vez mais qualificada de professores e médicos.


 


E, como não podemos esquecer do futuro, precisamos abordar mais um detalhe: ninguém de nós tem certeza de como será a Medicina daqui a 20 anos. E para erramos menos, precisamos, então, preparar este profissional dotado de particularidades técnicas e de postura. Para tanto, sua formação deverá seguir os princípios estabelecidos no Relatório da Unesco, de 1999, quando afirma: “A educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa, considerando espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade social e espiritualidade. Defende a importância da educação ao longo da vida, em torno de quatro aprendizagens fundamentais: aprender a conhecer ( indica o interesse, a abertura para o conhecimento); aprender a aprender ( para beneficiar-se das oportunidades ao longo da vida); aprender a fazer (mostra a coragem da busca, correndo o risco de errar enquanto aprende, adquirindo competências, tendo o ensino alternado com o trabalho); aprender a viver juntos ( tendo o desafio da convivência com grupos, desenvolvendo a compreensão do outro, o respeito e a percepção das interdependências); aprender a ser (tendo maior capacidade de autonomia, discernimento e responsabilidade).


 


E como devemos proceder durante o ensino de graduação de medicina, para que os princípios da UNESCO estejam contemplados na formação dos futuros médicos, para que possam manter boa relação médico-paciente?


 


Todas as escolas médicas do mundo têm consciência do problema e estão se movendo em duas direções: no preparo pedagógico dos docentes e na reestruturação dos currículos. Na reestruturação curricular integra-se o Ciclo Básico com o Ciclo Clínico, inicia-se o processo de ensino-aprendizagem com pessoas, doentes ou sadias, no lugar do cadáver, trabalha-se Relação Médico-Paciente e Ética Médica, do primeiro ao último dia do curso. No aspecto pedagógico, substituem-se as aulas magistrais por trabalho do professor tutor em pequenos grupos e faz-se uma avaliação permanente do aluno, no lugar da tradicional prova teórica. Com essas mudanças pretende-se incorporar a ciência à arte médica, para que, durante a relação médico-paciente se possa conhecer melhor a pessoa, prevenir as doenças ou identificar, curar ou atenuar o sofrimento. E que nesta relação esteja contemplada a vertente humanística da profissão, visto que, numa consulta médica se estabelece uma relação entre duas pessoas: uma fragilizada pela ameaça à sua saúde e ou à vida e outra dotada de saberes e poderes.


 


 


 


Títulos Honoríficos


-Professor Emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul


 

O Prof. Manfroi graduou-se em Medicina pela UFRGS em 1965. Foi aos Estados Unidos como fellow de Cardiologia, transpondo novos métodos diagnósticos na área da hemodinâmica. Fez parte do grupo pioneiro de professores que implantaram o Serviço de Cardiologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, no início da década de 1970.


Seu caráter inovador e com vínculo assistencial foi reconhecido, recentemente, quanodo o Laboratório de Hemodinâmica do Serviço de Cardiologia do HCPA recebeu seu nome, por sua inegável contribuição.


Em 1979 defendeu tese e recebeu o título de Doutor em Cardiologia, primeiro obtido do recém implantado Curso de Pós-Graduação em Cardiologia da UFRGS.



No ano de 1969, atuou como assitente voluntário, na Enfermaria 38 da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, que era a sede da Cátedra de Terapêutica Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Foi auxiliar de ensino do Departamento de Medicina Interna, da Faculdade de Medicina da UFRGS em 1970; posteriormente, foi professor assitente e professor adjunto. Em 1987, através de concurso público, chegou a professor titular do mesmo Departamente. Foi, por duas vezes, Diretor da Faculdade de Medicina, nos períodos de 1985 a 1988 e de 2001 a 2005, quando implantou inúmeras atividades inovadoras na área do ensino. Além disso, foi Pró-Reitor de Extensão da UFRGS, no período de 1988 a 1992, quando expandiu a atuação da Univrersidade junto àcomunidade.



Na área da Pós-graduação, atuou como professor desde 1977, tendo orientado inúmeras dissertação e teses. Foi Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Cardiologia, por quatro anos e, posteriormente, do Ciências da Saúde: Cardiologia e Ciências Cardiovasculares, da UFRGS. Idealizou e implementou, com o apoio da Faculdade de Educação o Projeto de Pós-Graduação em Educação e Saúde da Faculdade de Medicina da UFRGS.



Na área da pesquisa teve importante papel ao criar as primeiras normas de elaboração de projetos de pesquisa, no final da década de 1970, quando foi Coordenador da Comissão Científica do HCPA, que serviu de modelo e base para a constituição da atual Comissão de Ética em Pesquisa.


Produziu um grande número de artigos publicados em revistas nacionais e internacionais, capítulos de livro e livros científicos. Nem mesmo a aposentadoria compulsória o impede de continar atuando como pesquisador junto ao Serviço de Cardiologia do HCPA e ao Programa de Pós-Graduação em Cardiologia, da UFRGS, onde permanece como pesquisador convidado.


O Prof. Manfroi, além de tudo, ainda mantém uma criativa e contínua produção literária, que serve para demonstrar, ainda mais, a sua característica de inquietude intelectual.



Tudo isso que aqui foi apresentado, é apenas uma parte dentre tantas outras realizações, as quais o credenciam, plenamente, para receber este Prêmio de Dedicação à Pesquisa, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.


                                                                                    Profª Drª Nadine de Oliveira Clausell
 


 


Apresentação feita pela Professora Nadine de Oliveira Clausell por ocasião da entrega de Troféu durante a Cerimônia de Abertura do 62º Congresso Brasileiro da Cardiologia, realizado em São Paulo, 07/11/2007


 

-Designação do nome de Waldomiro Carlos Manfroi ao Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre


 

GRAUS ACADÊMICOS


Diploma de médico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul -1965


Título de residente em Medicina Interna obtido no Programa de Residência Médica na Cátedra de Terapêutica Clínica da Faculdade de Medicina da UFRGS, Convênio UFRGS/Kellog Fundation, localizado na Enfermaria 38 da Santa Casa de Misericórdia, sob a Direção do Prof. Eduardo Zácaro Faraco, nos anos 1966 e 1967.


Realizou Curso de Aperfeiçoamento em Cardiologia e Laboratório de Hemodinâmica, como bolsista da CAPES, na mesma Cátedra de Terapêutica Clínica, em 1968.


Em 1969, atuou como Auxiliar de Ensino Voluntário, na mesma Cátedra, quando foi escolhido como Professor Homenageado na Cerimônia de Colação de Grau da Turma Médica daquele ano, graduados da Faculdade de Medicina/ UFRGS.


Contratado Auxiliar de Ensino para trabalhar no Departamento de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da universidade Federal do Rio Grande do Sul, com início em 21 de janeiro de 1970.


Especialista em Educação através do Curso de Especialização em Metodologia do Ensino para Professores Universitários da Área da Saúde, promovido pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em convênio e SUDESUL, realizado em Porto Alegre, de março a novembro de 1971.


Título de Fellow in Cardiology, obtido no St. Josephs Hospital, Syracuse Nova York, Estados Unidos da América do Norte em 1974.


Promovido a professor assistente junto ao Departamento de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por meio de concurso de prova e de títulos em 1977.


Obteve do grau acadêmico de Doutor em Medicina: Cardiologia, no Curso de Pós-Gradução em Medicina, área de Concentração: Cardiologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 08 de abril de 1980.


Promovido ao cargo de Professor Adjunto IV vinculado ao Departamento de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desde 1980, pela obtenção do título de Doutor em Cardiologia..


Posicionado no cargo de Professor Titular, por meio de Concurso Público, junto ao Departamento de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, quando conquistou uma das seis vagas, disputadas pó 14 candidatos, em 1988.


Professor Emérito da Universidade Federal do RGS
Criador e Coordenador da Linha de Pesquisa Educação e Saúde (Mestrado e Doutorado), na Faculdade de Medicina, com apoio da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Projeto que foi implementado em nível nacional pela CAPES, em 2010.


 



REALIZAÇÃO NOS CARGOS



Principais ações desenvolvidas como Diretor da Faculdade de Medicina, no período de janeiro de 1985 a setembro de 1988.



Ao assumir a Direção da Faculdade em janeiro de 1985, elaborou Plano de Ação, que contemplasse os seguintes tópicos:


Desenvolver ações junto aos Órgãos Superiores da Universidade e junto à Reitoria, visando à construção de um novo prédio para a Faculdade. Com o apoio do Reitor e do escritório Técnico da Universidade, no ano de 1988, conseguiu a aprovação, pelo Conselho Diretor do HCPA a planta do novo prédio que previa, entre outras áreas: laboratórios integrados de pesquisa para as Ciências Básicas e a Pós-Graduação da Faculdade e área para consultórios dos professores;


Pôs em execução a Reforma Curricular do ensino de graduação da medicina, aprovado pela Comissão de Carreira, em 1981. Essa mudança era uma das mais avançadas para a época, pois e estada baseada nos paradigmas da reunião de Alma Ata, desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde, em 1978. O novo paradigma previa o desenvolvimento de ações, visando alcançar a oferta de saúde para todos os habitantes da Terra a partir do ano 2000;


Implementou o Programa de Educação Médica Continuada para os egressos da Faculdade, há mais de cinco anos;


Desenvolveu ações que possibilitaram maior integração entre a Faculdade, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e a Santa Casa de Misericórdia;


Implementou o Programa Educação e Saúde para a comunidade leiga, desenvolvido com diversas ações: publicação de um livro( Saúde – Informações Básicas), pela Editora da Universidade e várias atividades nos meios de comunicação e programas em escolas públicas e creches da cidade.


Instituiu as seguintes assessorias:


De Planejamento. Esta assessoria tinha a competência de assessor a direção no planejamento e execuções das propostas administrativas, avaliar as ações desenvolvidas e elaborar relatório de gestão anual.


Assessoria Científica. A Assessoria científica foi implementada visando aos seguintes objetivos:
Identificar e estimular alunos e professores com vocação para a pesquisa;
apoiar os professores para o desenvolvimento dos seus projetos de pesquisa; difundir, através de encontros periódicos, o papel dos órgãos de apoio à pesquisa: CAPS, CNPq e FiNEP e sobre os programas de bolsa de iniciação científica e de aperfeiçoamento.


A Assessoria de Tecnologia Educacional e Informática Médica. Esta assessoria foi criado para acompanhar e incorporar os avanços tecnológicos, na área da computação, que estavam se multiplicando na área do ensino e da pesquisa no mundo desenvolvido. Por meio desta assessoria, implementamos o segundo Laboratório de Informática Médica Brasileiro.


Assessoria de Extensão. Esta assessoria tinha a competência e responsabilidade de que tinha a responsabilidade de programar, pôr em execução e acompanhar todos os projetos de extensão que passamos a desenvolver fora do âmbito da Faculdade de Medicina: postos de saúde, Internato Rural e cursos das mais diversas naturezas.


A Assessoria de Comunicação Social. Era o órgão encarregado da comunicação entre Direção, professores, alunos e servidores e sociedade em geral, por meio de um Boletim informativo mensal e pela divulgação de entrevistas, palestras, conferências.


A Comissão de Pós-Graduação(COMPg). Esta comissão foi criada com os seguintes objetivos: 1 propiciar maior integração entre os Programas de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina, 2 evitar duplicidade de disciplinas que poderiam ser comuns a todos, 3 identificar áreas relevantes de pesquisa que pudessem dispuitar projetos de financiamento da pesquisa.


O Núcleo de Apoio Pedagógico. Este núcleo tinha o objetivo de capacitar os professores da Faculdade, com vista à implementação do novo currículo. Essa assessoria foi possível graças ao apoio presencial de duas professoras voluntárias da Faculdade de Educação: Loremi Saldanha e Sônia Ogyva.


Como Diretor, viabilizou acordos com as Secretarias de Saúde do Estado e dos municípios de Porto Alegre, Canoas e de Viamão, que possibilitaram o desenvolvimento de estágios dos alunos em 17 posto da Rede Básica de Saúde, com a supervisão de professores, incluindo-se o Internato Rural que se realizava no Projeto Itapuã.


Propiciou condições para implementação das disciplinas integradoras e de inserção precoce do aluno aos pacientes: Medicina de Família, Socioantropologia da Saúde, Medicina Comunitária, Medicina do Trabalhador, dentre outras.


Gestionou perante os Órgãos Superiores da Universidade para que se realizasse o Concurso Público ao Provimento de Professor Titular, para o Departamento de Medicina Interna, que se mantinha para há 25 anos. O concurso foi realizado em 1987


Como relator da Comissão especial designada pelo Conselho Universitário, para o encaminhamento de propostas de estudos para a mudança do Estatuto e o Regimento da Universidade, propôs, com seus pares, que se constituísse nas Unidades Universitárias modelo semelhante ao implementado na Faculdade de Medicina, designando-as de Comissões e não de assessorias. Esse modelo foi mantido nas propostas de reformo posteriores e é o que vigora hoje.


 


Principais ações e projetos implementados como Pró-Reitor de Extensão de 1998 a 2002.



Com definição de que “Extensão é a Universidade na Sociedade”, na área do desenvolvimento social, de forma pioneira, foram implementados vários núcleos interdisciplinares de extensão universitária, com atuação integrada em diversos Departamentos da UFRGS, com o Governo Estadual, prefeituras, setores produtivos e setores sociais, tais como:


Núcleo de Energia e Meio Ambiente. Este núcleo desenvolveu as seguintes atividades: assessoria a prefeituras do Estado sobre planejamento energético; implementou cursos no interior do Estado em forma de educação continuada para técnicos de 2º e 3º graus envolvidos com sistemas energéticos;
apoiou projetos de desenvolvimento na área e realizou eventos científicos; implantando uma Rede Estadual de Pesquisa e Extensão em Energia e Proteção Ambiental entre UFRGS, universidades estaduais, Governo do Estado e FAMURS;


Núcleo de Floricultura. Este núcleo promoveu as seguintes ações:
desenvolveu programas de transferência tecnológica para produção de plantas ornamentais no Estado;
realizou assessoria a órgãos públicos sobre paisagem urbana;
produziu e distribuiu aos municípios o Catálogo de Viveiros e Plantas do RS, realizou seminários para prefeitos sobre o verde e cursos de extensão para qualificação de técnicos na área;


Grupo de Educação para Saúde. Este núcleo promoveu as seguintes ações: cursos, no interior do Estado e na Capital, voltados para professores de 1º e 2º graus sobre cuidados com a saúde e o bem-estar de crianças e introdução destes conhecimentos em situações de ensino-aprendizagem, implementando as idéias do Programa Criança para Criança da UNICEF e da OMS; implantou um Programa de Treinamento em Reanimação Cardiopulmonar junto com a SSMA/PoA, HCPA e INAMPS para profissionais destas instituições, para funcionários e alunos da UFRGS e para bombeiros (em conjunto com a Brigada Militar);


Núcleo de Integração entre a Universidade e o Ensino de 1º e 2º Graus. Este núcleo participou de modo cooperativo na busca de alternativas para viabilizar a solução de problemas nesta área, junto a escolas, prefeituras, governo estadual, MEC e comunidades, atuando nas seguintes ações:
Educação Básica; Apoio ao Ensino de 1º e 2º Graus; Prática de Ensino e Educação Não-Formal (em especial alfabetização de adultos e educação em meio rural); Programa de nas áreas de educação continuada para docentes de 1º e 2º graus, sobre os seguintes temas: ações na escola, recursos pedagógicos, alfabetização de adultos e crianças, informática aplicada à educação, estudos adicionais para professores de Ciência para professores da Rede Pública do Litoral Norte.


Núcleo de Estudos sobre Integração da América Latina. Este núcleo realizou várias reuniões técnicas, apoio a convênios entre instituições acadêmicas, participação em eventos, publicação de bibliografia, confecção de cadastros de pesquisadores e apoio a elaboração de projetos;


Núcleo do Menor Abandonado. Este núcleo promoveu estudos interdisciplinares e realizando assessorias e consultorias a órgãos governamentais e não-governamentais na área e diversos seminários com a participação de outras universidades do Cone Sul;


Núcleo de Patrimônio Cultural. Este núcleo prestou assessoria a prefeituras do Estado sobre a preservação de prédios e estabelecimentos de valor histórico e cultural, bem como realizou cursos e eventos científicos e culturais sobre o tema;


Núcleo de Estudos Clássicos. Este núcleo promoveu o estudo sobre línguas e culturas antigas de Roma e da Grécia, funcionando de forma integrada com a Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos;


Núcleo de Criação e Criatividade. Este núcleo promoveu vários cursos livres de criação literária e seminários sobre o tema.


Núcleo de alfabetização de Adultos. Foi o Núcleu pioneiro que promoveu o levantamento do número de funcionários analfabetos na Universidade e implementou diversos cursos de alfabetização.


Implementação de vários projetos de Educação Continuada aos moldes do implementado na Medicina, destacando-se, entre eles:
Programa de Educação Médica Continuada, Educação Física Continuada e Educação Continuada em Análises Clínicas; o Projeto de Implantação da Universidade para a Terceira Idade que promoveu atividades e cursos voltados para a terceira idade; e o Programa para Alfabetização de Funcionários da UFRGS.


Programa de Apoio a Eventos Na Universidade, nas esferas de divulgação, na área cultural, destacam-se as ações em diversos órgão, tais como e ações:
O Museu Universitário com o que tornou-se um centro de convergência de espaço físico, empréstimo de equipamentos audio-visuais, organização da secretaria executiva e formalização da atividade culturais, com apresentação de mostras, encontros, oficinas, exposições, instituindo um espaço permanente com a sociedade. Ali foram realizadas 53 exposições, sendo também sede dos Encontros Musicais PROREXT agregando eventos musicais periódicos às exposições.


O Projeto Arte na Escola (em conjunto com a Fundação Iochpe) para educação artística da comunidade.


O Núcleo de Documentação e Memória Social que constituiu uma fototeca com 5000 fotos sobre escravidão, história de Porto Alegre, industrialização gaúcha, movimentos operários, rótulos de primeiros produtos industrializados, retratos de famílias, resgatou a memória da UFRGS (acervo histórico e preservação da memória oral de antigos alunos e docentes), realizou exposições itinerantes, assessorias e consultorias na área.


Na Editora da UFRGS publicou livros sobre cultura rio-grandense, textos básicos para o ensino (graduação, pós-graduação e educação continuada), revistas científicas, anais e sínteses. A PROREX manteve ainda o Coral da UFRGS, a Orquestra Juvenil da UFRGS, o Projeto Prelúdio (com Orquestra de Cordas, Coral Infanto-Juvenil, Conjunto de Música Popular, Conjunto de Violões, Orquestra Infanto-Juvenil, Orquestra Mirim.


Implementou o Projeto “Concurso Literário –UFRGS.


Implementação do Programa de Bolsas de Extensão, pioneiro no Brasil, distribuindo 515 bolsas para alunos de graduação.


Criador e Coordenador da Linha de Pesquisa Educação e Saúde (Mestrado e Doutorado), na Faculdade de Medicina, com apoio da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Projeto que foi implementado em nível nacional pela CAPES, em 2010.